MT lança plano contra feminicídio e violência

Por Everton Plinio Martiny • 18/04/2026 05:30 84 acessos
MT lança plano contra feminicídio e violência

O Governo de Mato Grosso anunciou um pacote robusto de medidas para enfrentar a violência contra a mulher e reduzir os índices de feminicídio no Estado. As ações, lançadas nesta sexta-feira, integram o Programa Mato Grosso em Defesa das Mulheres e marcam um avanço na ampliação da rede de proteção, com foco na prevenção, acolhimento e responsabilização dos agressores.

De acordo com o governador Otaviano Pivetta, o combate à violência de gênero exige continuidade e integração entre diferentes políticas públicas. Ele ressaltou que o programa consolida iniciativas já existentes e amplia o alcance das ações, reforçando a segurança e a dignidade das mulheres mato-grossenses. A proposta parte do entendimento de que a violência não pode ser naturalizada e precisa ser enfrentada com medidas estruturais e permanentes.

A coordenadora do Gabinete de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, Mariell Antonini, destacou que o programa foi construído de forma conjunta entre secretarias estaduais e instituições públicas. Segundo ela, o desafio envolve questões culturais profundas e exige atuação integrada para promover mudanças efetivas no comportamento social.

A senadora Margareth Buzetti reforçou que o enfrentamento ao machismo estrutural passa pela educação e pela conscientização desde a infância. Para ela, o avanço das mulheres em diferentes espaços sociais ainda gera reações violentas, o que torna essencial o fortalecimento de políticas educativas e preventivas.

O deputado federal Fábio Garcia destacou que o Estado já possuía ações relevantes na área, mas faltava integração entre elas. Com o novo programa, a expectativa é aumentar a eficiência das políticas públicas e garantir maior proteção às vítimas. No Judiciário, a desembargadora Maria Erotides Kneip afirmou que novas varas especializadas serão criadas para dar mais agilidade aos processos e evitar a revitimização das mulheres.

Entre as medidas práticas, o governo prevê a implantação de novas delegacias especializadas, incluindo uma unidade 24 horas em Várzea Grande e estruturas em Lucas do Rio Verde e Sorriso. Também serão criados núcleos de atendimento em municípios como Rosário Oeste, Nobres e Campo Verde. Já cidades estratégicas como Tangará da Serra, Cáceres e Primavera do Leste receberão plantões especializados para atendimento emergencial.

A estrutura da segurança pública também será reforçada com a criação de diretorias específicas para mulheres na Polícia Civil e Militar, além de uma unidade dedicada ao monitoramento eletrônico de agressores. Outro avanço relevante é o lançamento do Portal Estadual de Informações Integradas sobre a Violência contra a Mulher, que reunirá dados, serviços e orientações em um único ambiente digital.

O programa inclui ainda atendimento psicológico remoto para vítimas de violência doméstica, com acompanhamento posterior presencial, além de suporte a familiares e órfãos de feminicídio. Paralelamente, foi firmado um pacto institucional envolvendo órgãos como Assembleia Legislativa, Ministério Público, Tribunal de Justiça e Defensoria Pública, ampliando a articulação entre os poderes.

No campo das políticas públicas, o governo pretende fortalecer organismos municipais, capacitar gestores e ampliar oportunidades de emprego para mulheres por meio de programas como o Empregos MT e iniciativas voltadas à formação de jovens. Projetos educativos também ganham destaque, com foco na prevenção da violência desde a infância.

Desde 2019, o Estado já vinha implementando ações importantes, como o aplicativo SOS Mulher, o plantão 24 horas em Cuiabá e o programa Ser Família Mulher, que oferece auxílio financeiro para vítimas em situação de vulnerabilidade. Somente em 2025, os investimentos no setor chegaram a R$ 95 milhões, consolidando uma rede que atualmente conta com dezenas de núcleos especializados e delegacias em funcionamento.

Com o novo pacote, Mato Grosso busca dar um salto qualitativo no enfrentamento à violência de gênero, apostando na integração entre instituições, no fortalecimento da rede de proteção e na transformação cultural como pilares para reduzir os índices de feminicídio e garantir mais segurança às mulheres em todo o Estado.

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