Romeu Zema (30): história política e plano de governo para 2026
Ex-governador de Minas Gerais chega à disputa nacional com o “Plano Implacável”, programa que reúne propostas de redução do Estado, rigor fiscal e mudanças em áreas estratégicas.
A eleição presidencial de 2026 terá Romeu Zema, do Partido Novo, como candidato de número 30. O nome de urna registrado no Tribunal Superior Eleitoral é ZEMA, e a chapa tem o senador Eduardo Girão como candidato a vice-presidente. Os dados oficiais constam na página do TSE que reúne os nomes de urna, números e planos de governo das candidaturas.
Nascido em Araxá, em Minas Gerais, Romeu Zema construiu sua carreira profissional no setor empresarial antes de entrar na política. Formado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas, começou a trabalhar ainda jovem e passou por funções como cobrador, frentista, vendedor, gerente e outras atividades antes de assumir posições de liderança no Grupo Zema. Em 1991, passou a comandar as Lojas Zema e posteriormente deixou a direção do grupo para ingressar na política.
Zema entrou oficialmente na política em 2018, quando se filiou ao Novo e disputou pela primeira vez um cargo eletivo. Naquele ano, foi eleito governador de Minas Gerais no segundo turno, com 71,8% dos votos válidos. Em 2022, foi reeleito no primeiro turno, com 56,1% dos votos válidos. Em março de 2026, deixou o governo estadual e transmitiu o cargo ao então vice-governador Mateus Simões.
Durante os dois mandatos em Minas Gerais, a administração Zema adotou como uma de suas principais marcas a busca por equilíbrio das contas públicas, redução de burocracia, atração de investimentos e concessões. O governo estadual também registra medidas como reformas administrativas, acordos para pagamento de dívidas com municípios e ações de reparação relacionadas ao rompimento da barragem de Brumadinho.
O documento apresentado ao TSE recebe o título “Plano Implacável — Propostas concretas para os maiores problemas do país”. O programa tem 81 páginas e organiza as propostas em diferentes áreas, incluindo segurança pública, combate à corrupção, Judiciário, finanças públicas, desenvolvimento econômico, trabalho, infraestrutura, energia, política externa, gestão pública, agronegócio, meio ambiente, educação, saúde, desenvolvimento social, cultura, reforma institucional e defesa nacional.
A linha geral do programa propõe uma redução do tamanho e da participação direta do Estado na economia, acompanhada de privatizações, concessões, parcerias com o setor privado e revisão de despesas. Ao mesmo tempo, o documento apresenta medidas para segurança, educação básica, saúde, infraestrutura e programas sociais.
Um dos pontos centrais do plano é a reorganização das contas públicas. O programa defende redução de gastos, combate a privilégios e revisão de despesas consideradas ineficientes.
O documento também propõe uma nova reforma da Previdência, com regras relacionadas à evolução da expectativa de vida, além da venda de imóveis públicos considerados ociosos e estabelecimento de metas para a gestão do patrimônio da União.
Na estrutura administrativa, Zema propõe reduzir o número de ministérios e modificar regras relacionadas ao funcionalismo público. O plano prevê maior utilização de critérios de desempenho e mudanças na estabilidade para novos servidores, além de mecanismos de avaliação da atuação profissional.
O programa também defende o fim dos chamados supersalários no serviço público e medidas para limitar benefícios considerados incompatíveis com a realidade da maioria dos trabalhadores.
A proposta econômica apresentada pelo Novo amplia a participação da iniciativa privada em atividades atualmente executadas pelo Estado.
O plano prevê a privatização de empresas estatais e o uso de concessões e Parcerias Público-Privadas em diferentes setores. No caso da Petrobras, a proposta apresentada é dividir a companhia em empresas separadas por áreas de produção, refino e transporte e avançar na transferência dessas operações para o setor privado.
O programa também defende a utilização de mecanismos privados em serviços públicos, inclusive nas áreas de saúde e educação, por meio de concessões, PPPs e outros modelos de contratação.
Na economia, o plano apresenta medidas voltadas à redução da burocracia, aumento da concorrência e estímulo ao investimento privado.
Entre as propostas estão mudanças na tributação e redução de custos considerados excessivos para empresas e consumidores. O programa também prevê ações para melhorar o ambiente de negócios e facilitar investimentos em infraestrutura.
O candidato ainda propõe medidas para redução dos juros e das taxas incidentes sobre operações financeiras, dentro de uma estratégia que busca ampliar o crédito e estimular a atividade econômica.
Na área trabalhista, o plano apresenta a criação de um regime alternativo à CLT, no qual empregado e empregador poderiam negociar diretamente determinadas condições do contrato de trabalho.
A proposta permitiria negociação de aspectos como jornada, dias trabalhados e férias, respeitando o limite de até 44 horas semanais previsto no programa. O documento também prevê mudanças na contratação de trabalhadores que estejam há mais de um ano na informalidade.
O programa ainda defende mudanças no sistema sindical, incluindo o fim da contribuição sindical obrigatória e do monopólio de representação por sindicato único em determinada categoria. Para qualificação profissional, aparece a proposta de ampliar o ensino técnico vinculado às necessidades reais do mercado de trabalho.
A segurança pública ocupa uma das primeiras posições no programa. A proposta inclui fortalecimento das forças de segurança, integração entre órgãos e utilização de tecnologia para investigação e prevenção.
O plano também trata do enfrentamento das organizações criminosas, com atenção às estruturas financeiras das facções, inteligência e integração entre União, estados e municípios.
Outra frente envolve o sistema penitenciário. O programa prevê mudanças na gestão das unidades prisionais e medidas voltadas ao combate à atuação de organizações criminosas dentro e fora dos presídios.
A estratégia apresentada pelo candidato também inclui maior cooperação internacional para combater organizações criminosas que atuam além das fronteiras brasileiras.
Na educação, o programa coloca a educação básica como prioridade. Entre as propostas estão alfabetização na idade adequada, recuperação da aprendizagem e ampliação do ensino integral e técnico.
O plano também prevê mudanças na formação e valorização dos professores, com maior peso para formação continuada, desempenho e resultados educacionais.
Uma das mudanças institucionais propostas é retirar a gestão das universidades federais do Ministério da Educação e transferi-la para o Ministério da Ciência e Tecnologia. Segundo a proposta apresentada pela campanha, o objetivo seria concentrar o MEC na educação básica, mantendo no ministério as políticas relacionadas à formação de professores.
O plano também menciona ampliação de creches por meio de parcerias, reformulação do Pé-de-Meia, expansão do ensino integral e técnico e regulamentação do homeschooling com controle estatal.
Para o ensino superior, o programa propõe mudanças no modelo de financiamento e gestão das universidades federais.
Entre as ideias apresentadas estão financiamento associado a desempenho, mudanças na escolha de reitores e maior direcionamento para cursos técnicos e científicos.
Na ciência e tecnologia, o plano busca ampliar a participação privada, fortalecer pesquisa aplicada e estimular inovação ligada ao desenvolvimento econômico. A estratégia está conectada à proposta mais ampla de aproximar universidades, centros de pesquisa e empresas.
Na saúde, uma das principais propostas é utilizar a capacidade ociosa da rede privada para reduzir filas do Sistema Único de Saúde.
O plano prevê contratação de serviços privados com metas de atendimento e mecanismos de acompanhamento de resultados. Também aparecem propostas de expansão de hospitais e Unidades de Pronto Atendimento por meio de concessões, PPPs e Organizações Sociais.
O programa também prevê fortalecimento da Saúde da Família, atenção ao pré-natal, expansão da telemedicina e criação de um sistema nacional de prontuário eletrônico sob controle do cidadão.
Para os planos de saúde, o documento propõe mudanças na regulação para ampliar a variedade de produtos disponíveis, permitindo diferentes níveis de cobertura e maior participação do consumidor nos custos, conforme as regras estabelecidas.
O programa também apresenta propostas para políticas sociais, habitação e população em situação de rua.
Entre as medidas está a adoção do conceito de “housing first”, modelo que prioriza o acesso à moradia como primeiro passo para o atendimento de pessoas em situação de rua. O plano também menciona aluguel social e medidas relacionadas ao tratamento de dependentes químicos.
Na regularização fundiária, a proposta é criar um programa federal voltado à regularização urbana e rural.
O plano trata o meio ambiente também como área de desenvolvimento econômico. Entre as propostas está a ampliação do mercado de carbono e a utilização de investimentos privados em projetos de reflorestamento e remoção de carbono.
O documento defende licenciamento ambiental com prazos e critérios técnicos e reforça o combate ao desmatamento ilegal, à grilagem e ao garimpo ilegal.
Outra proposta é ampliar a bioeconomia e o turismo em parques por meio de concessões ao setor privado. O programa também prevê utilização de tecnologia, incluindo monitoramento por satélite, para fiscalização ambiental.
O agronegócio aparece como uma das áreas estratégicas para o desenvolvimento nacional. O programa relaciona produção rural a infraestrutura, logística, segurança jurídica e abertura de mercados.
Na infraestrutura, o plano prevê ampliação das concessões e participação privada em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e saneamento.
Na área de energia, o documento defende maior participação do setor privado e mudanças na estrutura das empresas estatais. A intenção apresentada é ampliar investimentos, competição e eficiência nos serviços.
Na política internacional, uma das propostas que mais chama atenção é a saída do BRICS, apresentada pelo programa como uma decisão a ser conduzida diplomaticamente, mantendo relações comerciais com os países integrantes.
O plano também defende a entrada do Brasil na OCDE e mudanças no Mercosul para transformá-lo em uma zona de livre comércio que permita ao país ampliar negociações bilaterais.
O documento ainda prevê maior cooperação internacional no combate ao crime organizado e aproximação com países considerados estratégicos para segurança e comércio.
O plano de governo também apresenta propostas de mudanças institucionais.
Entre elas está a defesa do voto distrital misto, possibilidade de candidaturas sem partido e extinção do fundo partidário e do fundo eleitoral, com retorno ao financiamento privado das campanhas.
Para o Supremo Tribunal Federal, o programa propõe idade mínima de 60 anos para ministros, restrição às decisões monocráticas e mudanças nas regras relacionadas aos processos de impeachment no Senado.
Essas medidas fazem parte do capítulo de reforma institucional apresentado pelo candidato e integram a proposta mais ampla de alteração das relações entre Executivo, Legislativo, Judiciário e órgãos de controle.
O Tribunal Superior Eleitoral registra ZEMA, número 30, pelo Partido Novo, entre as candidaturas à Presidência da República. A chapa é formada por Romeu Zema e Eduardo Girão. O TSE informa que os dados publicados em sua plataforma foram retirados das propostas apresentadas oficialmente pelas candidaturas e disponibilizados no sistema DivulgaCandContas.
O TSE confirmou o registro da chapa de Romeu Zema e Eduardo Girão durante o julgamento das candidaturas presidenciais. Com a conclusão dos registros, ficaram confirmadas 12 chapas na disputa pela Presidência da República em 2026.
É importante destacar que Pablo Marçal, que chegou a constar entre os pedidos de candidatura, não está entre os 12 candidatos confirmados. O TSE indeferiu o registro da chapa formada por Pablo Marçal e Leonardo Avalanche, do PRTB. Segundo o tribunal, entre os fundamentos apresentados esteve a falta de comprovação da filiação de Marçal ao PRTB dentro do prazo legal.
O primeiro turno das eleições será realizado no domingo, 4 de outubro de 2026. A votação para presidente e vice-presidente da República ocorrerá juntamente com as escolhas para governador, senador e deputados.
O segundo turno, se houver, será no domingo, 25 de outubro de 2026. O horário oficial de votação será das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, em todas as cidades participantes do pleito.
Na eleição para presidente da República, o segundo turno ocorre quando nenhum candidato alcança a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno, conforme as regras eleitorais.















