Ronaldo Caiado (55): história política e plano de governo em 2026
Ex-governador de Goiás e ex-senador, Caiado apresenta um plano de 100 páginas com 26 temas, ajuste fiscal, combate ao crime e mudanças no sistema político.
Ronaldo Caiado, do Partido Social Democrático (PSD), é candidato à Presidência da República nas eleições de 2026 com o número 55. O nome de urna registrado é RONALDO CAIADO, e o candidato a vice-presidente é Gilberto Kassab, também do PSD. Os dados constam na página oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reúne as candidaturas e os planos de governo apresentados à Justiça Eleitoral.
O programa de governo da chapa, intitulado “Muito pra mostrar, nada pra esconder”, estabelece diretrizes para o período de 2027 a 2030. O documento tem 100 páginas e 26 temas, abrangendo desde reforma política, contas públicas e segurança até educação, saúde, agronegócio, meio ambiente, ciência, cultura, política social, Amazônia, Nordeste, relações exteriores e turismo.
Ronaldo Ramos Caiado nasceu em Anápolis (GO), em 25 de setembro de 1949. É médico, professor e produtor rural. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, também fez mestrado na instituição e especialização em cirurgia da coluna na França.
Sua entrada na política ocorreu ainda antes da redemocratização. Caiado ganhou projeção nacional como liderança ligada ao setor agropecuário e presidiu a União Democrática Ruralista (UDR). Em 1989, disputou a Presidência da República pelo PSD, antes de construir uma longa trajetória no Congresso Nacional.
Em 1990, foi eleito deputado federal por Goiás. Depois, voltou à Câmara em sucessivas eleições, exercendo mandatos entre 1991 e 1995 e de 1999 a 2015. Em seguida, foi eleito senador por Goiás para o período de 2015 a 2023.
No Congresso, sua atuação esteve especialmente relacionada à agricultura, pecuária, segurança jurídica no campo e questões econômicas. Também ocupou posições de liderança partidária e presidiu a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados.
Em 2018, Caiado deixou a trajetória parlamentar para disputar o governo de Goiás. Foi eleito governador e tomou posse em 1º de janeiro de 2019. Em 2022, foi reeleito e permaneceu no cargo até 31 de março de 2026, quando deixou o governo para disputar a Presidência.
A administração estadual de Caiado é utilizada como uma das referências do programa presidencial de 2026. O plano nacional apresenta a gestão pública baseada em metas, acompanhamento de resultados e responsabilidade fiscal como elementos centrais da proposta.
O próprio governo de Goiás registrou que, no início de 2019, o Estado enfrentava dificuldades fiscais, com dívidas imediatas com fornecedores, salários atrasados e elevado endividamento consolidado. O programa estadual posteriormente apresentado pela administração Caiado descreveu reformas estruturais, reorganização das despesas e modernização da gestão como parte da estratégia adotada.
Essa experiência aparece no programa presidencial como referência para uma proposta de “Governo Transformador”, expressão utilizada no documento entregue ao TSE. A ideia é combinar responsabilidade fiscal, melhoria da gestão, segurança pública, investimento e aumento da produtividade.
O programa presidencial foi elaborado para o período de 2027 a 2030 e está dividido em 26 temas. A proposta parte do diagnóstico de que o Brasil possui recursos naturais, capacidade produtiva, reservas internacionais, ciência e empreendedorismo, mas enfrenta dificuldades para transformar esse potencial em produtividade, renda e oportunidades.
A plataforma defende uma administração que preserve a iniciativa privada como principal motor da economia, ao mesmo tempo em que busca recuperar a capacidade de planejamento e execução do Estado. O documento também estabelece mecanismos de monitoramento e prestação de contas das ações governamentais.
Uma das propostas mais relevantes está na área institucional. Caiado defende o fim da reeleição para cargos do Poder Executivo, por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição a ser encaminhada no início do mandato.
O programa também propõe a adoção do sistema distrital misto para eleições legislativas. A proposta combina representantes escolhidos por distritos territoriais com nomes definidos por listas partidárias.
O plano ainda apresenta medidas relacionadas ao funcionamento das instituições e à transparência da administração pública, dentro de uma proposta de reforma do sistema político brasileiro.
As contas públicas ocupam uma posição central no programa. Uma das primeiras medidas previstas é a criação do chamado “Orçamento da Verdade”, com um diagnóstico amplo das despesas obrigatórias, passivos, subsídios, benefícios tributários, fundos, restos a pagar, garantias e riscos fiscais.
A proposta prevê uma estratégia fiscal plurianual, com metas anuais, mecanismos de correção e uma trajetória para estabilização da dívida pública.
O programa afirma que o ajuste deve ocorrer principalmente pelo controle e pela revisão das despesas, sem depender de aumentos permanentes da carga tributária. Benefícios fiscais, subsídios e programas públicos passariam por revisões periódicas para verificar seus resultados.
Caiado não propõe refazer a reforma tributária já aprovada. O plano prevê ajustes na implementação do novo sistema, especialmente para garantir interpretação uniforme das regras relacionadas aos serviços digitais e ao funcionamento do Comitê Gestor do IBS.
O programa também prevê revisão de benefícios tributários e maior avaliação dos resultados produzidos por incentivos concedidos pelo poder público.
A posição do candidato inclui críticas à estrutura tributária brasileira, mas o documento estabelece que o equilíbrio fiscal não deve ser alcançado por uma sucessão de aumentos de impostos.
O programa coloca o aumento da produtividade no centro da estratégia econômica. A proposta é ampliar investimentos, reduzir custos de capital, melhorar a infraestrutura, aumentar a segurança jurídica e qualificar a mão de obra.
O plano também relaciona crescimento econômico à expansão dos investimentos públicos e privados, à inovação tecnológica e à melhoria do ambiente de negócios.
A estratégia apresentada é combinar estabilidade fiscal com medidas capazes de aumentar a capacidade produtiva do país.
A segurança pública ocupa um dos principais capítulos do programa presidencial.
Caiado propõe que o governo federal assuma papel mais direto na coordenação do combate às organizações criminosas e às facções. O plano prevê a criação de um Ministério da Segurança Pública e mecanismos de integração entre União, estados e demais órgãos responsáveis pela segurança.
Outra proposta é criar um Conselho Estratégico Nacional de Segurança Pública e Combate ao Terrorismo Doméstico, sob liderança da Presidência da República e com participação dos governadores.
O programa também apresenta penas mais severas para determinadas condutas relacionadas às organizações criminosas classificadas no documento como terrorismo doméstico. Entre as propostas está uma pena mínima de 45 anos para associação ou recrutamento por facções enquadradas nessa categoria.
O combate à corrupção aparece integrado à política de segurança e ao fortalecimento dos mecanismos de investigação, inteligência e controle.
A experiência de Caiado como médico, produtor rural e liderança política ligada ao setor agropecuário também aparece no programa presidencial.
O plano propõe ampliar a competitividade do agronegócio, melhorar infraestrutura e logística, aumentar segurança jurídica e facilitar o acesso a tecnologias e inovação.
A política agrícola é apresentada em conjunto com medidas para produtividade, abertura de mercados e melhoria das condições de produção e escoamento.
O objetivo declarado é aproveitar a capacidade do setor para gerar emprego, renda, exportações e desenvolvimento regional.
A ciência e a inovação aparecem como instrumentos para aumentar a produtividade brasileira.
O programa prevê fortalecimento da pesquisa, aproximação entre universidades, centros de pesquisa e empresas e estímulo à inovação tecnológica.
A proposta também relaciona investimentos em ciência à formação de mão de obra qualificada e à necessidade de elevar a produtividade da economia brasileira.
Na educação, uma das principais metas apresentadas é um pacto nacional pela alfabetização e pelo ensino de matemática, com o objetivo de garantir que as crianças dominem essas competências até o final do segundo ano do ensino fundamental.
O programa também prevê ações para reduzir o abandono escolar, valorizar professores, ampliar o ensino em tempo integral e fortalecer a educação profissional e tecnológica.
A proposta procura aproximar a formação profissional das necessidades do mercado de trabalho e das características econômicas de cada região.
O programa afirma que pretende preservar os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), mas com maior prioridade para prevenção e organização do atendimento.
Uma das principais mudanças propostas está na forma de organizar filas para consultas, exames e procedimentos. Em vez de considerar apenas a ordem de chegada, a proposta estabelece critérios relacionados à gravidade, risco de agravamento, vulnerabilidade, impacto da demora e tempo de espera.
A proposta também prevê rastreamento dos pacientes e maior utilização de tecnologia para acompanhar o atendimento.
A saúde preventiva, a regionalização dos serviços e a organização das redes de atendimento aparecem como instrumentos para reduzir filas e melhorar o acesso da população.
O programa dedica um eixo específico ao meio ambiente e relaciona preservação ambiental ao desenvolvimento econômico.
A proposta inclui ações de combate ao desmatamento ilegal, melhoria da fiscalização, estímulo a práticas sustentáveis e utilização de instrumentos econômicos para promover a preservação.
O plano também aborda questões relacionadas à Amazônia, mineração e uso sustentável dos recursos naturais.
A política ambiental é apresentada junto a uma estratégia de segurança jurídica para atividades produtivas e investimentos.
A mineração é tratada separadamente no plano, com foco na exploração de recursos considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional.
O programa busca ampliar a capacidade brasileira de agregar valor aos recursos minerais e relaciona o setor à segurança econômica, à indústria e à soberania nacional.
A proposta também prevê mecanismos de acompanhamento ambiental e regulatório para a atividade.
O programa estabelece a modernização da infraestrutura como uma das condições para aumentar a produtividade brasileira.
Rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, saneamento e mobilidade urbana aparecem como áreas de investimento.
Nas cidades, o plano prevê medidas para melhorar o transporte e ampliar a integração entre diferentes modalidades de deslocamento.
A estratégia é associar infraestrutura à redução dos custos de produção, à geração de empregos e ao desenvolvimento regional.
O Nordeste recebe um capítulo específico no plano presidencial.
A proposta aborda desenvolvimento econômico, infraestrutura hídrica, geração de oportunidades e redução das desigualdades regionais.
A questão da água é tratada como um dos elementos centrais da política regional, ao lado de investimentos produtivos e ampliação das oportunidades de emprego e renda.
A Amazônia também possui um eixo próprio no programa.
O plano busca conciliar preservação ambiental, desenvolvimento econômico e presença do Estado na região.
Entre os objetivos está ampliar a capacidade de fiscalização e combater atividades ilegais, ao mesmo tempo em que são criadas condições para atividades econômicas sustentáveis.
O programa inclui capítulos específicos para políticas destinadas às mulheres e para o combate ao racismo.
As propostas integram essas políticas à proteção social, à educação, ao mercado de trabalho e à promoção de oportunidades.
A existência de capítulos próprios para esses temas faz parte da estrutura dos 26 eixos apresentados pela candidatura.
A área social é tratada dentro de uma estratégia que combina proteção aos mais vulneráveis com geração de emprego e renda.
O programa prevê políticas sociais associadas à educação, qualificação profissional, saúde e desenvolvimento econômico.
A proposta apresentada pelo candidato procura reduzir situações de vulnerabilidade por meio de uma combinação de transferência de proteção social, serviços públicos e oportunidades de trabalho.
O plano apresenta a defesa nacional como componente da soberania brasileira.
A proposta envolve modernização das Forças Armadas, fortalecimento da capacidade de defesa e integração da política de defesa com ciência, tecnologia e indústria nacional.
A soberania é tratada também em relação ao território, aos recursos naturais e à capacidade brasileira de tomar decisões estratégicas de forma independente.
Na política externa, o programa defende uma inserção internacional pragmática, voltada à ampliação de mercados e à defesa dos interesses econômicos brasileiros.
A proposta busca fortalecer relações comerciais e diplomáticas com diferentes parceiros e aumentar a participação brasileira em cadeias internacionais de produção.
O plano também relaciona política externa, agronegócio, indústria, ciência, tecnologia e segurança nacional.
Cultura, esporte e turismo também integram o programa.
Na cultura, a proposta prevê fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura, financiamento mais estável e ampliação do acesso a equipamentos culturais fora dos grandes centros.
No esporte, o plano prevê um Plano Nacional do Esporte 2035, com metas de acesso, formação, alto rendimento, integridade e economia esportiva. Também estão previstas ações de recuperação de quadras, campos e demais equipamentos esportivos.
Para o turismo, a candidatura propõe uma Estratégia Nacional de Turismo 2035, com metas relacionadas a visitantes internacionais, receita, emprego, investimentos, permanência dos turistas e distribuição regional da atividade.
Uma característica do programa de Caiado é a inclusão de um capítulo específico para implementação, monitoramento e prestação de contas.
A proposta prevê acompanhamento das metas e divulgação de indicadores para verificar a execução das políticas públicas.
A intenção apresentada é estabelecer mecanismos que permitam acompanhar não apenas o anúncio das medidas, mas também sua execução e seus resultados.
Esse modelo de gestão por metas é apresentado como uma das marcas do chamado Governo Transformador.
O TSE registra RONALDO CAIADO, número 55, pelo Partido Social Democrático (PSD), na disputa presidencial. A chapa tem Gilberto Kassab como candidato a vice-presidente. A plataforma oficial do tribunal informa que os dados sobre nomes, números e propostas foram extraídos das candidaturas apresentadas formalmente e disponibilizados no sistema DivulgaCandContas.
A candidatura de Caiado integra a relação de 12 chapas confirmadas pelo TSE para a eleição presidencial de 2026. O tribunal concluiu o julgamento dos registros em setembro.
Também é importante esclarecer que Pablo Marçal não está entre os 12 candidatos confirmados. O TSE indeferiu o registro da chapa formada por Pablo Marçal e Leonardo Avalanche, do PRTB. Segundo a Corte, entre os fundamentos da decisão esteve a falta de comprovação da filiação de Marçal ao PRTB dentro do prazo legal.
O primeiro turno será realizado no domingo, 4 de outubro de 2026. Caso seja necessário um segundo turno para a Presidência da República, a nova votação ocorrerá no domingo, 25 de outubro de 2026.
O horário de votação será das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.
Na eleição presidencial, o segundo turno ocorre somente se nenhum candidato alcançar a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno.















