Samara (80): plano de governo e trajetória política em 2026

Cirurgiã-dentista do SUS e militante de movimentos sociais, Samara Martins apresenta ao TSE um programa que propõe mudanças estruturais na economia e na organização do Estado.

Por Redação • 30/09/2026 11:12 • 4 acessos
Samara (80): plano de governo e trajetória política em 2026

A Samara Martins, da Unidade Popular (UP), é candidata à Presidência da República nas eleições de 2026 com o número 80. O nome registrado na urna é SAMARA, e sua candidata a vice-presidente é Raquel Brício, também da UP. Os dados constam na página oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reúne os nomes, números e propostas apresentados pelas chapas presidenciais.

O programa apresentado pela candidatura tem como título “Programa da Unidade Popular pelo Socialismo”. O documento assume de forma explícita a defesa de uma transformação estrutural do modelo econômico e político brasileiro, com a proposta de superar o capitalismo e construir uma sociedade socialista.

Samara Martins chega à disputa presidencial depois de uma trajetória ligada ao movimento estudantil, às lutas por direitos sociais, ao movimento de mulheres e à defesa da população negra e da classe trabalhadora. Antes da política institucional, consolidou sua carreira como cirurgiã-dentista do Sistema Único de Saúde (SUS).

Samara Martins Feitosa nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, e posteriormente passou a viver em Natal, no Rio Grande do Norte. Formou-se em Odontologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e trabalha como cirurgiã-dentista na Estratégia Saúde da Família do SUS.

Sua participação política começou ainda na adolescência, no movimento estudantil. Aos 16 anos, segundo a biografia divulgada pela própria Unidade Popular, participou de mobilizações pelo meio-passe no transporte público em Belo Horizonte.

Durante a graduação, Samara continuou envolvida no movimento estudantil e chegou à direção da União Nacional dos Estudantes (UNE), atuando na área de mulheres. A trajetória posteriormente avançou para movimentos sociais ligados às mulheres, à população negra e aos trabalhadores.

Samara também integra o Movimento de Mulheres Olga Benario e atua como coordenadora nacional da Frente Negra Revolucionária, segundo a biografia publicada pela UP.

A candidatura de 2026 não representa o primeiro contato de Samara Martins com uma eleição presidencial.

Em 2022, ela foi candidata a vice-presidente da República na chapa encabeçada por Leonardo Péricles, também pela Unidade Popular. Naquele pleito, a chapa foi formada exclusivamente por pessoas negras, segundo a Agência Brasil.

Quatro anos depois, Samara passou de candidata a vice para cabeça de chapa e passou a disputar diretamente a Presidência da República.

A candidatura foi formalizada pelo partido durante convenção nacional realizada em julho de 2026. A chapa apresentada pela UP tem Raquel Brício como candidata a vice-presidente, formando uma composição exclusivamente feminina.

A Unidade Popular, conhecida pela sigla UP, foi fundada em 2016 e se apresenta como um partido de orientação anticapitalista e socialista.

A legenda mantém ligação política com movimentos sociais voltados a questões relacionadas à juventude, às mulheres, à população negra e aos trabalhadores.

Essa identidade partidária aparece diretamente no programa presidencial de 2026. Diferentemente de documentos que apresentam propostas dentro do atual modelo econômico, o plano da UP afirma que seu objetivo é promover uma mudança estrutural na organização econômica e política do país.

O plano de governo registrado pela candidatura tem 67 páginas e apresenta propostas distribuídas em diferentes áreas da administração pública, economia, trabalho, saúde, educação, habitação, segurança, meio ambiente, direitos sociais e política externa.

A base do documento é a defesa de uma sociedade socialista. O programa parte de uma crítica ao modelo capitalista e sustenta que desigualdade social, concentração de renda, precarização do trabalho e dificuldades de acesso a serviços públicos estão relacionadas à estrutura econômica brasileira.

A proposta econômica da candidatura parte da ideia de ampliar o controle público sobre setores considerados estratégicos.

O programa defende a nacionalização de riquezas e setores estratégicos, além da retomada pelo Estado de empresas que foram privatizadas.

A lógica apresentada é ampliar a participação estatal em áreas consideradas fundamentais para o desenvolvimento nacional e utilizar esses setores como instrumentos de financiamento de políticas públicas e de planejamento econômico.

Entre as propostas destacadas pela candidatura está a reestatização de empresas privatizadas.

A medida está inserida em uma concepção mais ampla de economia na qual setores estratégicos deveriam permanecer sob controle público.

O programa também relaciona a presença do Estado à soberania econômica e à capacidade de planejar investimentos de longo prazo.

Um dos pontos mais expressivos do programa está relacionado à dívida pública.

A candidatura propõe a realização de uma auditoria da dívida pública brasileira e defende a suspensão do pagamento da dívida como parte de sua estratégia econômica. Essa proposta já havia sido apresentada pela UP durante a formalização da candidatura.

O objetivo declarado é identificar a composição da dívida e avaliar seus efeitos sobre o orçamento público e sobre a capacidade de investimento do Estado.

O programa apresenta uma proposta de dobrar o salário mínimo.

A candidatura relaciona a medida à recuperação do poder de compra dos trabalhadores e à necessidade de ampliar a participação dos salários na economia.

Segundo a Agência Brasil, a proposta está entre os principais pontos econômicos apresentados por Samara Martins durante a campanha.

A mudança teria impacto direto sobre trabalhadores que recebem o piso nacional e também sobre benefícios previdenciários e assistenciais vinculados ao salário mínimo, caso fosse implementada nos termos propostos.

Outro ponto de grande impacto nas relações trabalhistas é a proposta de adoção da jornada 4x3, com quatro dias de trabalho e três dias de descanso.

A candidatura apresenta a redução da jornada como parte de uma política de valorização do trabalhador e de melhoria das condições de vida.

A proposta também está relacionada à discussão sobre produtividade, distribuição do tempo de trabalho e geração de empregos.

O programa defende o fortalecimento dos direitos trabalhistas e a reversão de medidas que, segundo a candidatura, contribuíram para aumentar a precarização das relações de trabalho.

A proposta busca ampliar a proteção aos trabalhadores formais e informais e fortalecer a organização sindical.

A candidatura também coloca o trabalho como um dos elementos centrais para enfrentar desigualdade e concentração de renda.

A trajetória profissional de Samara no SUS aparece em sintonia com a importância atribuída à saúde pública no programa.

A candidatura defende o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, com ampliação dos investimentos e dos serviços públicos.

A proposta parte da defesa de um sistema universal e gratuito e busca reduzir desigualdades de acesso entre diferentes regiões e grupos sociais.

A saúde também é apresentada como um direito social que deve ser garantido pelo Estado, e não como serviço condicionado à capacidade individual de pagamento.

Na educação, o programa defende o fortalecimento da rede pública em todos os níveis.

A proposta inclui ampliação dos investimentos, valorização dos profissionais da educação e expansão do acesso ao ensino.

A candidatura relaciona a educação à redução das desigualdades sociais e à formação política, científica e profissional da população.

O programa também coloca a universidade pública e a pesquisa científica como instrumentos estratégicos para o desenvolvimento nacional.

A habitação aparece associada à defesa do direito à moradia e à redução do déficit habitacional.

A candidatura propõe ampliar a atuação do poder público na construção e disponibilização de moradias populares.

A política habitacional é tratada juntamente com urbanização, infraestrutura e acesso aos serviços públicos, especialmente nas áreas periféricas das grandes cidades.

A questão das mulheres ocupa posição importante na trajetória política de Samara e também no programa eleitoral.

As propostas incluem medidas de enfrentamento à violência contra as mulheres, ampliação da autonomia econômica e fortalecimento das políticas públicas de proteção.

A candidatura relaciona a desigualdade de gênero às condições de trabalho, renda, moradia e acesso aos serviços públicos.

A presença de Raquel Brício como candidata a vice também dá à chapa uma composição exclusivamente feminina.

A política de combate ao racismo é outro eixo relacionado diretamente à trajetória da candidata.

Samara atua em movimentos ligados à população negra e apresenta propostas voltadas à redução das desigualdades raciais.

O programa trata o racismo como uma questão estrutural e defende políticas públicas destinadas a ampliar oportunidades e combater discriminações.

A candidatura também relaciona a questão racial à renda, educação, moradia, trabalho e violência.

A juventude ocupa espaço dentro da concepção política da Unidade Popular.

A experiência de Samara no movimento estudantil é utilizada como parte de sua trajetória política, iniciada ainda na adolescência.

O programa defende ampliação do acesso dos jovens à educação, cultura, emprego e direitos sociais, além de maior participação política.

Na segurança, a candidatura apresenta uma abordagem relacionada às desigualdades sociais e à atuação do Estado.

O programa defende políticas de prevenção, fortalecimento dos serviços públicos e enfrentamento à violência.

Também há propostas relacionadas à revisão da política de segurança e à proteção de populações que vivem em regiões periféricas.

A candidatura vincula a questão da violência às condições econômicas e sociais e defende mudanças estruturais na atuação estatal.

O programa também aborda o sistema penitenciário e a situação das pessoas privadas de liberdade.

A candidatura defende mudanças nas condições dos presídios e políticas voltadas à reinserção social.

A proposta parte da compreensão de que o sistema de segurança deve atuar não apenas na repressão, mas também na prevenção da violência e na redução dos fatores sociais associados à criminalidade.

A questão agrária ocupa espaço importante dentro do programa.

A candidatura defende a realização de uma política de reforma agrária, com redistribuição de terras e fortalecimento da agricultura voltada à produção de alimentos.

A proposta também prevê maior apoio à agricultura familiar e aos pequenos produtores.

O objetivo apresentado é alterar a estrutura fundiária e ampliar a produção de alimentos para o mercado interno.

A agricultura familiar aparece como instrumento de segurança alimentar.

O programa defende políticas públicas de crédito, assistência técnica e comercialização para pequenos agricultores.

A proposta busca aumentar a participação da produção familiar no abastecimento interno e fortalecer mercados locais e regionais.

A candidatura defende maior proteção ambiental e mudanças no modelo de exploração dos recursos naturais.

O programa relaciona preservação ambiental à redução das atividades consideradas predatórias e ao fortalecimento da fiscalização.

Também há defesa de políticas de transição para um modelo econômico menos dependente de atividades que provocam degradação ambiental.

A proposta de nacionalização das riquezas também alcança recursos naturais.

O programa defende maior controle público sobre a exploração mineral e outras riquezas consideradas estratégicas.

A candidatura relaciona a exploração desses recursos à soberania nacional e à necessidade de fazer com que a riqueza produzida permaneça no país e seja utilizada para financiar políticas públicas.

A energia é tratada como setor estratégico.

A candidatura defende maior participação estatal e planejamento público sobre a produção e distribuição de energia.

A política energética também é relacionada à soberania econômica e à necessidade de garantir acesso da população a serviços essenciais.

Na política externa, o programa apresenta uma orientação voltada à soberania nacional e à aproximação com países e movimentos identificados pela candidatura como parte de uma estratégia internacional alternativa.

A proposta critica a dependência econômica em relação às grandes potências e defende maior autonomia brasileira nas decisões internacionais.

O programa também relaciona política externa, comércio, recursos naturais e defesa dos interesses dos trabalhadores.

A candidatura propõe mudanças na estrutura política brasileira.

O programa defende maior participação popular nas decisões do Estado e mecanismos de democracia direta.

A proposta também questiona a concentração de poder nas instituições políticas tradicionais e apresenta a organização popular como elemento importante para a transformação do país.

A trajetória de Samara Martins se diferencia por ter sido construída principalmente em movimentos sociais, no movimento estudantil e na atuação profissional no SUS.

Sua candidatura à Presidência em 2026 é a segunda participação em uma eleição presidencial, mas a primeira como cabeça de chapa. Em 2022, esteve na condição de candidata a vice-presidente.

O programa apresentado neste ano mantém a identidade histórica da Unidade Popular e coloca o socialismo como objetivo declarado da candidatura.

O Tribunal Superior Eleitoral concluiu o julgamento dos registros e confirmou 12 chapas na disputa pela Presidência da República. Entre elas está a chapa formada por Samara Martins e Raquel Brício, da Unidade Popular.

Na página oficial dedicada aos planos de governo, o TSE registra SAMARA, número 80, pela UP — Unidade Popular. O tribunal informa que os dados disponibilizados foram extraídos das propostas apresentadas formalmente pelas candidaturas e do sistema DivulgaCandContas.

Também é necessário diferenciar os pedidos de candidatura que foram apresentados durante o processo eleitoral da lista final de registros deferidos.

Pablo Marçal não está entre os 12 candidatos confirmados pelo TSE. A Corte negou o registro de sua candidatura por falta de comprovação de filiação ao PRTB dentro do prazo legal e também apontou questão relacionada à sua condição de elegibilidade.

Na decisão final divulgada pelo TSE, a chapa de Pablo Marçal e Leonardo Avalanche, do PRTB, não integra a relação de candidaturas presidenciais validadas para a eleição de 2026.

O primeiro turno das eleições será realizado no domingo, 4 de outubro de 2026. Se houver segundo turno para a Presidência da República, a votação ocorrerá no domingo, 25 de outubro de 2026. O horário de votação será das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, em todo o país.

Na eleição presidencial, o segundo turno ocorre quando nenhum candidato alcança a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno, conforme as regras do sistema eleitoral brasileiro.

Este conteúdo foi publicado originalmente por Tribunal Superior Eleitoral, Agência Brasil e informações oficiais da Unidade Popular e foi adaptado para o padrão do Primavera do Leste Net.

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