Justiça analisa caso Oliver e cobra mudanças em Paranatinga

Um ano após a morte da criança, processo judicial aponta falhas na assistência pediátrica e pede medidas para reforçar o atendimento de urgência no município.

Por Everton Plinio Martiny • 18/07/2026 15:02 564 acessos
Justiça analisa caso Oliver e cobra mudanças em Paranatinga

Um ano após a morte de Oliver Camargo de Melo, de 2 anos e 11 meses, o caso continua tendo desdobramentos na Justiça. A ação civil pública relacionada ao caso segue em andamento e busca obrigar o Município de Paranatinga, em Mato Grosso, a adotar mudanças na rede de saúde para corrigir problemas identificados durante as investigações e prevenir novas ocorrências.

O processo teve origem após a apuração de falhas no atendimento prestado à criança. De acordo com as investigações, havia deficiências estruturais e operacionais na assistência pediátrica do município, cenário que, segundo os autos, poderia ter influenciado no desfecho do caso.

Entre os pontos levantados estão a demora no atendimento inicial, a ausência de protocolos específicos para situações de emergência e a falta de treinamento adequado das equipes de saúde. O relatório técnico também aponta que um dos profissionais envolvidos no atendimento não possuía autorização válida para exercer a medicina em Mato Grosso na época dos fatos.

Além das irregularidades relacionadas ao atendimento, a ação destaca problemas considerados recorrentes no Hospital Municipal de Paranatinga. O documento cita a inexistência de atendimento pediátrico contínuo, dificuldades no encaminhamento de pacientes em estado grave e falhas na fiscalização do contrato responsável pela gestão da unidade.

Na esfera judicial, o pedido inclui a implantação de protocolos de urgência, capacitação permanente dos profissionais da saúde, manutenção de atendimento médico contínuo e o pagamento de indenização mínima de R$ 500 mil por dano moral coletivo.

Enquanto o processo segue em tramitação, a família ainda enfrenta as consequências da perda. A mãe de Oliver, Cassiana Camargo de Ferreira, afirma que o primeiro ano sem o filho foi marcado por sofrimento constante e que a ausência da criança permanece presente em sua rotina.

Ela também diz esperar que a Justiça esclareça as responsabilidades pelos fatos apurados e que o caso sirva para ampliar o conhecimento sobre a Doença de Hirschsprung, condição rara diagnosticada em Oliver. Segundo Cassiana, a divulgação de informações sobre a doença pode contribuir para que profissionais de saúde reconheçam os sinais precocemente e realizem intervenções rápidas, reduzindo o risco de novos casos com desfechos semelhantes.

A expectativa da família é que, além da responsabilização dos envolvidos caso sejam confirmadas irregularidades, o episódio deixe um legado voltado ao fortalecimento da assistência pediátrica e à conscientização sobre doenças raras que podem evoluir para situações de emergência médica quando não identificadas a tempo.

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