Operação My Love prende suspeitas em Rondonópolis
A Polícia Civil intensificou, na manhã desta terça-feira (05), as investigações sobre o desaparecimento de uma jovem em Rondonópolis ao deflagrar a Operação “My Love”, ação estratégica voltada ao combate de crimes ligados a facções e ao tráfico de drogas dentro do sistema prisional. A ofensiva marca um novo avanço nas apurações iniciadas ainda em dezembro de 2025, após o sumiço de Karen Anelita Ferreira da Silva, de 25 anos.
O caso ganhou contornos mais complexos ao longo dos meses. Segundo a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa, a investigação começou após o pai da jovem relatar que ela saiu para trabalhar e não retornou para casa. A partir desse registro, equipes passaram a empregar técnicas avançadas de investigação, incluindo análise de imagens, monitoramento de rotina, campanas e levantamentos de inteligência, que permitiram solicitar medidas cautelares à Justiça.
Com o aprofundamento das diligências, surgiram indícios de que a vítima teria ligação com uma facção criminosa atuante na cidade. As investigações apontam que ela estaria envolvida no recrutamento de mulheres para transportar drogas até a Penitenciária Major Eldo de Sá Corrêa, conhecida como Mata Grande, uma das principais unidades prisionais da região.
As autoridades trabalham com a hipótese de que o desaparecimento esteja relacionado a conflitos internos desse grupo criminoso. Desentendimentos entre mulheres envolvidas na mesma atividade ilícita podem ter motivado o sumiço, ampliando a complexidade do caso e reforçando a linha investigativa adotada pela polícia.
O nome da operação, “My Love”, faz referência ao modo como detentos utilizariam vínculos afetivos para cooptar mulheres, muitas vezes companheiras, para atuar no envio de entorpecentes para dentro das unidades prisionais. Esse mecanismo, segundo os investigadores, fortalece a atuação de facções e dificulta o combate ao tráfico.
Durante o cumprimento das ordens judiciais expedidas pela 1ª Vara Criminal, foram realizadas buscas que resultaram na apreensão de drogas como maconha e ecstasy, além de materiais utilizados no tráfico e dispositivos eletrônicos que seriam levados ao interior da unidade prisional. Duas mulheres, de 31 e 35 anos, foram presas em flagrante por tráfico de drogas, sendo que uma delas também teve a prisão temporária decretada.
Após os procedimentos legais, as suspeitas foram encaminhadas ao sistema prisional, onde permanecem à disposição da Justiça. A Polícia Civil reforça que as investigações continuam em andamento, com foco na identificação de outros envolvidos e no completo esclarecimento do desaparecimento.
A Operação My Love integra a Operação Pharus, iniciativa institucional voltada ao enfrentamento qualificado das organizações criminosas, com ênfase na repressão ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro. O nome “Pharus”, derivado do latim, remete à ideia de farol, simbolizando a atuação do Estado na iluminação e combate às práticas criminosas.
As ações também fazem parte da estratégia nacional coordenada pela Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas, que reúne forças de segurança de todo o país sob a coordenação do Ministério da Justiça. O objetivo é fortalecer o combate integrado às facções criminosas e promover respostas mais eficazes à criminalidade organizada.












