PF destrói 23 bunkers do garimpo ilegal em Terra Indígena de Mato Grosso
Uma operação da Polícia Federal destruiu 23 bunkers utilizados para esconder equipamentos de garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso. A ação ocorreu no Garimpo do Cururu e faz parte de uma força-tarefa do governo federal contra a mineração clandestina em territórios indígenas.
As estruturas subterrâneas eram usadas para armazenar máquinas, combustíveis e manter a permanência prolongada de garimpeiros na região. Segundo as equipes envolvidas, os maiores bunkers tinham cerca de cinco metros de comprimento, dois metros de largura e 1,80 metro de altura.
De acordo com a Polícia Federal, os espaços não possuíam ventilação nem sinal de comunicação, como internet. Nos locais, os agentes encontraram alimentos, freezers, motosserras e diversos equipamentos usados no garimpo ilegal. Um gerador de grande porte avaliado em aproximadamente R$ 100 mil também foi apreendido.
A operação segue em andamento e não tem prazo para terminar. Segundo o governo federal, o objetivo é garantir a segurança do território e permitir o uso integral da área pelo povo indígena Nambikwara, formado por cerca de 201 indígenas.
Durante cerca de um mês de ações, as equipes retiraram mais de 90 mil litros de diesel de circulação. Também foram apreendidos ou destruídos 190 geradores, 441 motores de garimpo e 971 quilos de explosivos.
A Terra Indígena Sararé se tornou o território com o maior número de alertas de garimpo ilegal do Brasil, com 1.814 registros identificados por monitoramento ambiental.
Segundo os agentes, os bunkers foram construídos estrategicamente para esconder equipamentos e sustentar a atividade clandestina por longos períodos. A estrutura improvisada permitia que os garimpeiros mantivessem a operação funcionando mesmo em áreas isoladas da floresta.
Os vídeos divulgados pela operação mostram o interior dos esconderijos e os materiais encontrados. Em avaliação preliminar, técnicos apontaram que o gerador apreendido teria capacidade para abastecer aproximadamente 100 barracos. Em funcionamento conjunto, o equipamento poderia atender cerca de 50 estruturas, além de alimentar freezers e guinchos usados na extração de ouro.
A investigação aponta que havia planejamento prévio e logística organizada para manter o garimpo ilegal ativo dentro da Terra Indígena Sararé.
A força-tarefa reúne agentes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional, Exército, Ibama e Funai, sob coordenação da Casa Civil.
As equipes atuam diretamente no combate ao avanço do garimpo ilegal em Mato Grosso, estado que enfrenta crescimento acelerado de processos minerários próximos a territórios indígenas.
Dados divulgados pela Operação Amazônia Nativa (Opan) mostram que 93% das terras indígenas mato-grossenses estão sob pressão da mineração. O levantamento aponta ainda que o número de processos minerários em Mato Grosso saltou de 5.926, em 2018, para 13.627 em 2025, crescimento de quase 130%.
Atualmente, cerca de 24,9% do território mato-grossense já possui incidência minerária, área comparável à extensão do Reino Unido.
O levantamento da Opan também revela aumento da violência nas regiões afetadas pelo garimpo ilegal. Entre os relatos estão tiros, ameaças de morte e ataques contra aldeias indígenas.
A Terra Indígena Sararé ocupa a quarta posição entre os territórios indígenas com maior número de requerimentos minerários próximos, somando 72 processos ativos. O ouro aparece como principal alvo das solicitações de exploração.
O cenário reforça a preocupação com o avanço da mineração ilegal em Mato Grosso, especialmente em áreas indígenas vulneráveis e sob influência de facções criminosas.
As autoridades seguem investigando o caso, e novas operações devem ocorrer nos próximos meses para conter o avanço do garimpo ilegal na região.












