Combate ao feminicídio e medidas protetivas em Primavera do Leste
Comarca acumulou centenas de pedidos de proteção judicial enquanto o estado contabilizou dezenas de casos fatais de feminicídio.
A discussão sobre o enfrentamento à violência doméstica ganha novos contornos com a necessidade de incluir os homens de forma ativa na prevenção. Especialistas apontam que a abordagem não deve se restringir apenas a orientar as mulheres sobre como buscar proteção, mas também questionar a raiz comportamental que alimenta agressões físicas e psicológicas na sociedade.
Os dados oficiais revelam um cenário preocupante em Mato Grosso. No ano anterior, o estado contabilizou 53 casos de feminicídio, superando o registro anterior de 47 ocorrências. A tendência continuou no primeiro semestre do período seguinte, somando 25 mortes violentas de mulheres conforme o levantamento do Observatório Caliandra.
No âmbito municipal, a realidade reflete a mesma urgência por segurança. A comarca de Primavera do Leste acumulou 579 novos processos voltados à concessão de medidas protetivas de urgência, evidenciando o volume de moradoras que precisaram recorrer ao sistema de justiça para afastar potenciais agressores e buscar salvaguarda.
A legislação vigente, como a Lei Maria da Penha, já contempla mecanismos direcionados à recuperação e reeducação de agressores. A premissa jurídica reconhece que a punição e o abrigo à vítima precisam vir acompanhados de intervenções nos comportamentos abusivos que surgem muito antes de agressões físicas evidentes.
A transformação cultural sugerida por especialistas abrange o ambiente familiar, as escolas e os círculos sociais, propondo que os meninos sejam educados desde a infância a lidar com a rejeição, a respeitar a autonomia feminina e a compreender que o controle e a possessividade não compõem relações saudáveis.












