Espetáculo com atores surdos aborda luto em Primavera do Leste

A montagem 'Quando Ikú vier, quero recebê-lo com alegria' une Libras, vibrações e estímulos sensoriais para debater morte e inclusão.

Por Redação • 06/11/2026 17:51 • 78 acessos
Espetáculo com atores surdos aborda luto em Primavera do Leste

O Teatro Municipal de Primavera do Leste recebe neste sábado, às 15h, o espetáculo Quando Ikú vier, quero recebê-lo com alegria, que integra a programação do 20º Festival Velha Joana. A montagem reúne atores surdos e ouvintes, utilizando recursos sensoriais diversificados para construir uma narrativa acessível a diferentes formas de percepção.

Produzida pelo Coletivo Gestação e com direção de Larissa Foá, a obra encerra em Primavera do Leste sua circulação pelo estado de Mato Grosso. O projeto estreou em Rondonópolis no dia 24 de julho de 2026, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso.

Diferente de produções tradicionais, a montagem integra a Língua Brasileira de Sinais, vibrações sonoras, estímulos visuais e expressões corporais diretamente na dramaturgia. A concepção da obra nasceu de uma experiência de luto da diretora, que investigou a morte sob a perspectiva dos ritos de passagem a partir de referências literárias e oficinas realizadas na Associação dos Surdos de Rondonópolis.

O contato com a comunidade surda trouxe para o palco discussões sobre barreiras de comunicação em serviços públicos essenciais, como na área da saúde. Entre os integrantes do elenco está Cátia Rocha, aluna da instituição, que relatou o processo de superação e dedicação nos ensaios para atuar na montagem.

Eu comecei nas aulas de teatro com os professores Nicolas e Larissa. Primeiramente aprendi alongamentos corporais e depois as expressões faciais, construir personagens. No primeiro momento senti dificuldade, mas depois de alguns meses estudando, ficou bem fácil, afirmou a atriz sobre a preparação.

A obra também incorpora elementos da cultura afro-brasileira e das religiões de matriz africana para tratar a morte como transformação e passagem, utilizando referências à ancestralidade e à memória. A programação do 20º Festival Velha Joana segue até o dia 15 de novembro, reunindo dezenas de apresentações e atividades culturais pela cidade.

Este conteúdo foi publicado originalmente por Portal Primavera e foi adaptado para o padrão do Primavera do Leste Net.

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