Eleições nos EUA e cenário agrícola impactam mercado de grãos
Resultado eleitoral norte-americano e oferta elevada geram incertezas econômicas e influenciam os preços da soja, milho e trigo no mercado internacional.
O mercado de grãos iniciou o pregão sob influência da política norte-americana, da oferta elevada e de novos dados agrícolas. De acordo com informações da TF Agroeconômica, a vitória dos democratas nas eleições legislativas dos Estados Unidos ampliou as incertezas econômicas, somando-se às pressões já existentes sobre a soja, o milho e o trigo.
O resultado do pleito, que esteve associado ao descontentamento popular com o custo de vida, os combustíveis e a política externa, pode impor dificuldades à agenda fiscal de Donald Trump antes de sua saída. Na avaliação da consultoria, os futuros de Wall Street e os títulos do Tesouro registraram avanço, ao passo que os juros recuaram e o dólar perdeu força no cenário internacional.
No setor da soja, o mercado opera com risco de novas liquidações impulsionadas por fundos com posições compradas elevadas. Os investidores aguardam a divulgação de um relatório do USDA, que tem o potencial de elevar a estimativa de produtividade norte-americana e reduzir a previsão de processamento. Caso essas projeções se confirmem, as cotações da oleaginosa e de seus derivados podem sofrer pressões de baixa, tornando uma recuperação dependente de sinais mais sólidos de demanda.
O milho abriu a sessão com leve queda na Bolsa de Chicago, pressionado pela segunda maior safra da história dos Estados Unidos. Além disso, a previsão de tempo seco no Meio-Oeste tem favorecido o andamento da colheita. Uma possível revisão para baixo nas exportações norte-americanas referentes à safra 2026/27 também contribui para sustentar a postura vendedora adotada pelos investidores.
Por sua vez, o trigo oscilou de uma leve baixa para ganhos modestos, recebendo sustentação do enfraquecimento do dólar. No entanto, essa reação positiva encontra limites nas negociações voltadas a um possível cessar-fogo na região do Mar Negro. A TF Agroeconômica apontou a previsão de uma reunião trilateral em Abu Dhabi para a semana seguinte, após o registro de nove semanas consecutivas de perdas nos preços do cereal.













