Consulta pelo SUS em Cuiabá é liberada dois anos após morte de paciente
Convocação para atendimento chegou via mensagem de texto, relembrando a lentidão da regulação municipal.
A lentidão nos trâmites da saúde pública em Cuiabá gerou revolta após uma família receber a confirmação de uma consulta psicológica exatamente dois anos após o falecimento da paciente. A liberação do atendimento ocorreu de forma tardia, expondo falhas estruturais na regulação de procedimentos do SUS na capital mato-grossense.
A situação foi tornada pública por Janaiara Soares, filha da paciente Sidelia Paula da Silva Soares. Emocionada, a jornalista utilizou plataformas digitais para relatar o caso e expor a dor provocada pela demora da Secretaria Municipal de Saúde em atender o pedido de ajuda feito ainda em vida.
De acordo com o relato familiar, Sidelia enfrentava um quadro severo de depressão e recusava alternativas na rede privada, insistindo em buscar suporte exclusivamente por meio do atendimento gratuito. Ela seguiu todos os protocolos exigidos, passando por avaliação em unidade básica de saúde e obtendo os encaminhamentos necessários para a fila de espera.
A mensagem com a autorização da consulta foi enviada pela pasta municipal de saúde informando que o atendimento estaria agendado para o dia 24 de julho na Unidade de Saúde da Família do Parque Cuiabá. No entanto, o comunicado chegou quando já havia se passado o período crítico que levou a paciente ao suicídio.
O episódio reacendeu debates sobre a eficácia dos serviços prestados à população e a burocracia enfrentada por cidadãos que dependem da rede pública para tratamentos de saúde mental. A repercussão do caso evidenciou o sentimento de desamparo vivido por famílias que aguardam por assistência médica no estado.















