Augusto Cury (70): plano de governo e história política em 2026

Médico, psiquiatra e escritor, Augusto Cury disputa pela primeira vez uma eleição e apresenta ao TSE um programa com 18 projetos e 20 teses.

Por Redação • 30/09/2026 10:46 • 4 acessos
Augusto Cury (70): plano de governo e história política em 2026

O escritor Augusto Cury, do Avante, é candidato à Presidência da República nas eleições de 2026 com o número 70. O nome de urna registrado no Tribunal Superior Eleitoral é ESCRITOR AUGUSTO CURY, e o candidato a vice-presidente é Júlio Delgado, também do Avante. Os dados constam na página oficial do TSE que reúne as candidaturas e os respectivos planos de governo.

A candidatura representa a estreia de Cury em uma eleição. Natural de Colina, no interior de São Paulo, Augusto Jorge Cury nasceu em 2 de outubro de 1958 e construiu sua trajetória profissional fora da política, principalmente como médico psiquiatra, professor, escritor e palestrante. Na campanha presidencial, passou a levar para o debate público temas que marcaram sua carreira, como educação, saúde emocional, desenvolvimento humano e pensamento crítico.

O programa apresentado ao TSE tem cerca de 200 páginas e está estruturado em 18 projetos e 20 teses. Entre os principais pontos estão a proposta de adoção do semipresidencialismo, mudanças na estrutura do Supremo Tribunal Federal, uma nova política de educação, programas de empreendedorismo, saúde, agricultura, exportações, energias renováveis, mineração, preservação ambiental e segurança nacional.

Augusto Cury não possui histórico anterior de mandato eletivo. A eleição de 2026 é sua primeira disputa por um cargo público, segundo os registros eleitorais disponíveis. Antes de ingressar na política partidária, sua trajetória esteve concentrada na medicina, na produção intelectual e na atividade empresarial ligada às suas obras e projetos educacionais.

Formado em Medicina pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, Cury tornou-se conhecido nacionalmente como autor de livros sobre inteligência emocional, funcionamento da mente, relações humanas e desenvolvimento pessoal. Sua produção literária alcançou diversos países e se transformou na principal marca pública de sua carreira antes da entrada na disputa presidencial.

A entrada na política ocorreu em 2026, quando o Avante lançou sua candidatura à Presidência. Ao apresentar seu projeto, Cury passou a defender uma atuação política que, segundo suas próprias propostas, deveria ultrapassar a divisão tradicional entre direita e esquerda.

O discurso está diretamente conectado ao conteúdo do plano registrado no TSE. O documento afirma que o Brasil deveria buscar uma política baseada em diálogo, pensamento crítico, responsabilidade fiscal, liberdade econômica e proteção social, rejeitando o que o candidato classifica como radicalização ideológica.

A ideia de reduzir a polarização ocupa posição central no programa de Augusto Cury. O documento começa com o conceito de “Cultura da Paz em uma Sociedade Polarizada e Adoecida” e apresenta a construção de pontes entre diferentes grupos políticos como uma das bases do projeto.

No texto, Cury afirma que questões como educação, saúde, segurança, desenvolvimento econômico e proteção social deveriam ser tratadas como políticas de Estado, e não como disputas exclusivamente ideológicas.

O programa também procura combinar conceitos normalmente associados a diferentes campos políticos. O documento menciona liberdade econômica, empreendedorismo, meritocracia, produtividade e responsabilidade fiscal, ao mesmo tempo em que defende justiça social, proteção dos vulneráveis e fortalecimento de políticas públicas.

Essa combinação é apresentada pelo candidato como uma tentativa de construir uma agenda que não fique limitada à divisão tradicional entre direita e esquerda.

Entre as propostas institucionais mais importantes está a adoção do semipresidencialismo.

Nesse modelo, o presidente continuaria sendo chefe de Estado, enquanto a condução cotidiana do governo seria compartilhada com um primeiro-ministro responsável perante o Legislativo. A mudança dependeria de alterações constitucionais e de aprovação pelo Congresso Nacional, caso fosse encaminhada.

O plano coloca a mudança do sistema de governo entre suas principais teses e relaciona a proposta à busca por maior estabilidade institucional e capacidade de coordenação entre Executivo e Legislativo.

Outra proposta institucional de destaque é a alteração das regras de composição e permanência dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O programa propõe mandato de oito anos para os ministros da Corte. Também prevê mudanças na composição do tribunal, incluindo redução do número de ministros e estabelecimento de idade mínima para ocupar o cargo.

Como outras alterações constitucionais previstas no programa, essas medidas dependeriam de aprovação do Congresso e, conforme o caso, de mudanças na Constituição Federal.

A educação ocupa um dos maiores espaços do programa. O Projeto 1 — A Revolução da Educação aparece como um dos 18 grandes projetos apresentados pela candidatura.

A proposta parte da ideia de que o sistema educacional deve ir além da transmissão tradicional de conteúdo e desenvolver pensamento crítico, criatividade, capacidade de resolver problemas e competências socioemocionais.

O plano também relaciona educação à prevenção de problemas sociais e ao desenvolvimento econômico. A formação de crianças e jovens aparece como instrumento para ampliar oportunidades, reduzir desigualdades e preparar trabalhadores para uma economia mais tecnológica.

A valorização dos professores também está inserida nessa estratégia, com atenção à formação e às condições necessárias para melhorar o processo de aprendizagem.

O Projeto 2 — Brasil Neuroinclusivo propõe uma abordagem específica para pessoas com diferentes condições e necessidades relacionadas ao funcionamento neurológico.

A iniciativa procura ampliar inclusão, diagnóstico, atendimento, educação e participação social, articulando políticas públicas de diferentes áreas.

A proposta está alinhada à ideia central do candidato de aproximar educação, saúde, desenvolvimento humano e políticas de inclusão.

O Projeto 3 — Mulheres Vivas concentra propostas relacionadas às mulheres.

A iniciativa aborda proteção, prevenção da violência, autonomia econômica e fortalecimento das condições sociais para que mulheres possam desenvolver seus projetos de vida.

O programa conecta essa política a questões de saúde, educação, trabalho e empreendedorismo, em vez de tratar a pauta exclusivamente pelo aspecto da segurança pública.

A candidatura propõe a criação de uma Secretaria Executiva ou novo Ministério do Empreendedorismo e da Economia Distribuída.

A ideia é colocar o empreendedorismo no centro de uma política nacional de geração de oportunidades, envolvendo pequenos negócios, trabalhadores autônomos, inovação e desenvolvimento regional.

O programa também prevê uma estrutura governamental dedicada à coordenação dessas ações, buscando reduzir barreiras para quem pretende abrir ou expandir uma atividade econômica.

O Projeto 5 — Comunidades Empreendedoras do Brasil amplia essa proposta para os municípios e comunidades.

A iniciativa pretende estimular ambientes locais de empreendedorismo, conectando capacitação, crédito, produção, inovação e oportunidades de mercado.

A lógica apresentada no programa é descentralizar a geração de riqueza e permitir que diferentes regiões desenvolvam suas próprias vocações econômicas.

O Projeto 6 — Brasil Oásis é voltado ao semiárido brasileiro.

A proposta busca transformar limitações históricas relacionadas à água, produção e infraestrutura em oportunidades de desenvolvimento econômico e social.

Entre os eixos apresentados estão tecnologias, empreendedorismo, produção agrícola e utilização mais eficiente dos recursos disponíveis na região.

O programa também apresenta o BEE — Brasil Empreendedor nas Estradas, uma proposta que utiliza a extensa malha rodoviária brasileira como eixo de desenvolvimento turístico e econômico.

A ideia é estimular negócios e atividades econômicas ao longo das rodovias, aproveitando o fluxo de pessoas e mercadorias para criar novas oportunidades de trabalho, serviços e turismo.

O projeto integra infraestrutura, empreendedorismo e desenvolvimento regional.

O Projeto 8 — Agroindústria Brasil trata da transformação da produção agropecuária em produtos de maior valor agregado.

A proposta busca estimular a industrialização próxima às áreas produtoras, fortalecendo cadeias produtivas e ampliando oportunidades de renda no interior do país.

A agroindústria é apresentada como instrumento para gerar empregos, aumentar produtividade e reduzir a dependência da comercialização de produtos primários.

O BCOO — Brasil Cooperativismo é outra frente econômica do programa.

A proposta busca fortalecer cooperativas como instrumentos de organização de produtores, trabalhadores e empreendedores.

O cooperativismo aparece relacionado à ampliação da capacidade de negociação, ao acesso a mercados e à distribuição de oportunidades econômicas.

O Projeto 10 — Brasil Exportador estabelece uma estratégia para ampliar a presença de empresas brasileiras no mercado internacional.

A candidatura propõe estimular exportações, ampliar a participação de empresas menores no comércio exterior e utilizar instrumentos diplomáticos e econômicos para abrir mercados.

A proposta também conecta exportação a empreendedorismo, agroindústria, inovação e política externa.

O Projeto 11 — Embaixadas Empreendedoras pretende transformar parte da atuação diplomática brasileira em instrumento de apoio à internacionalização de empresas.

A proposta prevê maior aproximação entre representações diplomáticas e empresas brasileiras interessadas em vender produtos e serviços no exterior.

O objetivo declarado é fazer da rede diplomática uma estrutura de apoio à expansão comercial brasileira.

O Projeto 12 — Plano de Combate Mundial da Fome amplia a proposta para uma dimensão internacional.

O programa pretende utilizar a experiência brasileira em agricultura, produção de alimentos e políticas sociais para desenvolver ações voltadas ao combate à fome em outros países.

A iniciativa está relacionada à política externa e à capacidade produtiva do Brasil.

Na saúde, um dos projetos mais específicos é o Tele Saúde Brasil.

A candidatura propõe ampliar fortemente a utilização da telemedicina para aumentar o acesso da população a médicos e especialistas e, segundo o programa, ajudar a desafogar o Sistema Único de Saúde.

A proposta inclui utilização de tecnologia para consultas, acompanhamento e integração entre profissionais e pacientes, especialmente em regiões onde a oferta de especialistas é menor.

O Projeto 14 — Prevenção e Detecção Precoce do Câncer, identificado no programa pela sigla SEA, propõe ampliar ações de prevenção e diagnóstico antecipado.

A estratégia busca utilizar campanhas, informação, acompanhamento médico e tecnologia para aumentar a identificação de casos em fases iniciais.

A proposta coloca prevenção e diagnóstico precoce como instrumentos para reduzir o impacto da doença sobre pacientes e sobre o sistema de saúde.

O PENER-BR — Energias Renováveis do Brasil é dedicado à expansão de fontes renováveis de energia.

A candidatura apresenta a transição energética como oportunidade econômica, tecnológica e ambiental.

O programa pretende estimular investimentos em fontes renováveis e ampliar a participação de novas tecnologias na matriz energética brasileira.

O Projeto 16 — PETRA BR trata das chamadas terras raras e de outros minerais considerados estratégicos.

A proposta busca ampliar a capacidade brasileira de pesquisar, explorar e agregar valor a esses recursos, reduzindo a dependência externa em cadeias consideradas importantes para a indústria e para novas tecnologias.

O programa relaciona mineração estratégica a desenvolvimento industrial, inovação e soberania econômica.

O Projeto 17 — Floresta Viva-BR concentra as propostas ambientais relacionadas à preservação e à recuperação florestal.

A candidatura busca combinar proteção ambiental com geração de oportunidades econômicas sustentáveis.

A proposta inclui a valorização dos recursos naturais e a utilização de mecanismos econômicos para transformar a preservação em uma atividade capaz de gerar renda e desenvolvimento.

O último dos 18 projetos é o FATO — Força Alerta Total.

A proposta está relacionada à segurança e à capacidade de resposta do Estado diante de situações que possam representar riscos à população e ao território nacional.

O projeto integra a visão de segurança do programa com tecnologia, prevenção e coordenação das estruturas públicas.

Embora a saúde emocional e a educação sejam marcas evidentes do programa, a candidatura também dedica espaço à economia.

O plano defende responsabilidade fiscal, liberdade econômica, empreendedorismo, produtividade e estabilidade institucional. Ao mesmo tempo, sustenta que políticas econômicas devem ser acompanhadas de proteção social e de medidas voltadas à redução das desigualdades.

Essa combinação aparece desde a apresentação do programa, que procura aproximar desenvolvimento econômico e políticas sociais.

A identidade política construída por Augusto Cury durante a campanha está diretamente relacionada à tentativa de se apresentar como alternativa ao confronto entre os dois principais campos ideológicos.

No documento entregue ao TSE, o candidato afirma defender elementos normalmente associados à direita, como liberdade econômica e responsabilidade fiscal, mas também destaca valores associados à esquerda, como justiça social e proteção dos vulneráveis.

O eixo central de sua proposta é transformar o diálogo e o pensamento crítico em instrumentos de gestão pública.

O TSE aprovou o registro da chapa Augusto Cury e Júlio Delgado, do Avante, em setembro de 2026. A Corte informou que a candidatura apresentou a documentação necessária e atendeu aos requisitos legais para disputar a Presidência.

Na página oficial do TSE dedicada aos planos de governo, Augusto Cury aparece com o nome de urna ESCRITOR AUGUSTO CURY, número 70, pelo Avante, e com seu plano disponível para consulta pública.

É importante registrar uma atualização em relação às informações que circularam durante a formação das chapas. Pablo Marçal não está entre os candidatos confirmados à Presidência em 2026. O TSE indeferiu o registro da chapa formada por Pablo Marçal e Leonardo Avalanche, do PRTB. A Corte informou que a decisão considerou, entre outros pontos, a falta de comprovação da filiação partidária de Marçal ao PRTB no prazo legal e sua condição de inelegibilidade.

Com isso, a lista oficial do TSE inclui Augusto Cury entre as candidaturas validadas para a eleição presidencial.

O primeiro turno das eleições será realizado no domingo, 4 de outubro de 2026. Se houver necessidade de segundo turno para a Presidência, a votação ocorrerá no domingo, 25 de outubro de 2026. O horário oficial de votação será das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, em todo o país.

Na eleição presidencial, o segundo turno somente será realizado se nenhum candidato alcançar mais da metade dos votos válidos no primeiro turno, conforme as regras do sistema eleitoral brasileiro.

Este conteúdo foi publicado originalmente por Tribunal Superior Eleitoral, Agência Brasil, Jornalismo PUC-SP e TSE e foi adaptado para o padrão do Primavera do Leste Net.

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