Augusto Cury (70): plano de governo e história política em 2026
Médico, psiquiatra e escritor, Augusto Cury disputa pela primeira vez uma eleição e apresenta ao TSE um programa com 18 projetos e 20 teses.
O escritor Augusto Cury, do Avante, é candidato à Presidência da República nas eleições de 2026 com o número 70. O nome de urna registrado no Tribunal Superior Eleitoral é ESCRITOR AUGUSTO CURY, e o candidato a vice-presidente é Júlio Delgado, também do Avante. Os dados constam na página oficial do TSE que reúne as candidaturas e os respectivos planos de governo.
A candidatura representa a estreia de Cury em uma eleição. Natural de Colina, no interior de São Paulo, Augusto Jorge Cury nasceu em 2 de outubro de 1958 e construiu sua trajetória profissional fora da política, principalmente como médico psiquiatra, professor, escritor e palestrante. Na campanha presidencial, passou a levar para o debate público temas que marcaram sua carreira, como educação, saúde emocional, desenvolvimento humano e pensamento crítico.
O programa apresentado ao TSE tem cerca de 200 páginas e está estruturado em 18 projetos e 20 teses. Entre os principais pontos estão a proposta de adoção do semipresidencialismo, mudanças na estrutura do Supremo Tribunal Federal, uma nova política de educação, programas de empreendedorismo, saúde, agricultura, exportações, energias renováveis, mineração, preservação ambiental e segurança nacional.
Augusto Cury não possui histórico anterior de mandato eletivo. A eleição de 2026 é sua primeira disputa por um cargo público, segundo os registros eleitorais disponíveis. Antes de ingressar na política partidária, sua trajetória esteve concentrada na medicina, na produção intelectual e na atividade empresarial ligada às suas obras e projetos educacionais.
Formado em Medicina pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, Cury tornou-se conhecido nacionalmente como autor de livros sobre inteligência emocional, funcionamento da mente, relações humanas e desenvolvimento pessoal. Sua produção literária alcançou diversos países e se transformou na principal marca pública de sua carreira antes da entrada na disputa presidencial.
A entrada na política ocorreu em 2026, quando o Avante lançou sua candidatura à Presidência. Ao apresentar seu projeto, Cury passou a defender uma atuação política que, segundo suas próprias propostas, deveria ultrapassar a divisão tradicional entre direita e esquerda.
O discurso está diretamente conectado ao conteúdo do plano registrado no TSE. O documento afirma que o Brasil deveria buscar uma política baseada em diálogo, pensamento crítico, responsabilidade fiscal, liberdade econômica e proteção social, rejeitando o que o candidato classifica como radicalização ideológica.
A ideia de reduzir a polarização ocupa posição central no programa de Augusto Cury. O documento começa com o conceito de “Cultura da Paz em uma Sociedade Polarizada e Adoecida” e apresenta a construção de pontes entre diferentes grupos políticos como uma das bases do projeto.
No texto, Cury afirma que questões como educação, saúde, segurança, desenvolvimento econômico e proteção social deveriam ser tratadas como políticas de Estado, e não como disputas exclusivamente ideológicas.
O programa também procura combinar conceitos normalmente associados a diferentes campos políticos. O documento menciona liberdade econômica, empreendedorismo, meritocracia, produtividade e responsabilidade fiscal, ao mesmo tempo em que defende justiça social, proteção dos vulneráveis e fortalecimento de políticas públicas.
Essa combinação é apresentada pelo candidato como uma tentativa de construir uma agenda que não fique limitada à divisão tradicional entre direita e esquerda.
Entre as propostas institucionais mais importantes está a adoção do semipresidencialismo.
Nesse modelo, o presidente continuaria sendo chefe de Estado, enquanto a condução cotidiana do governo seria compartilhada com um primeiro-ministro responsável perante o Legislativo. A mudança dependeria de alterações constitucionais e de aprovação pelo Congresso Nacional, caso fosse encaminhada.
O plano coloca a mudança do sistema de governo entre suas principais teses e relaciona a proposta à busca por maior estabilidade institucional e capacidade de coordenação entre Executivo e Legislativo.
Outra proposta institucional de destaque é a alteração das regras de composição e permanência dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O programa propõe mandato de oito anos para os ministros da Corte. Também prevê mudanças na composição do tribunal, incluindo redução do número de ministros e estabelecimento de idade mínima para ocupar o cargo.
Como outras alterações constitucionais previstas no programa, essas medidas dependeriam de aprovação do Congresso e, conforme o caso, de mudanças na Constituição Federal.
A educação ocupa um dos maiores espaços do programa. O Projeto 1 — A Revolução da Educação aparece como um dos 18 grandes projetos apresentados pela candidatura.
A proposta parte da ideia de que o sistema educacional deve ir além da transmissão tradicional de conteúdo e desenvolver pensamento crítico, criatividade, capacidade de resolver problemas e competências socioemocionais.
O plano também relaciona educação à prevenção de problemas sociais e ao desenvolvimento econômico. A formação de crianças e jovens aparece como instrumento para ampliar oportunidades, reduzir desigualdades e preparar trabalhadores para uma economia mais tecnológica.
A valorização dos professores também está inserida nessa estratégia, com atenção à formação e às condições necessárias para melhorar o processo de aprendizagem.
O Projeto 2 — Brasil Neuroinclusivo propõe uma abordagem específica para pessoas com diferentes condições e necessidades relacionadas ao funcionamento neurológico.
A iniciativa procura ampliar inclusão, diagnóstico, atendimento, educação e participação social, articulando políticas públicas de diferentes áreas.
A proposta está alinhada à ideia central do candidato de aproximar educação, saúde, desenvolvimento humano e políticas de inclusão.
O Projeto 3 — Mulheres Vivas concentra propostas relacionadas às mulheres.
A iniciativa aborda proteção, prevenção da violência, autonomia econômica e fortalecimento das condições sociais para que mulheres possam desenvolver seus projetos de vida.
O programa conecta essa política a questões de saúde, educação, trabalho e empreendedorismo, em vez de tratar a pauta exclusivamente pelo aspecto da segurança pública.
A candidatura propõe a criação de uma Secretaria Executiva ou novo Ministério do Empreendedorismo e da Economia Distribuída.
A ideia é colocar o empreendedorismo no centro de uma política nacional de geração de oportunidades, envolvendo pequenos negócios, trabalhadores autônomos, inovação e desenvolvimento regional.
O programa também prevê uma estrutura governamental dedicada à coordenação dessas ações, buscando reduzir barreiras para quem pretende abrir ou expandir uma atividade econômica.
O Projeto 5 — Comunidades Empreendedoras do Brasil amplia essa proposta para os municípios e comunidades.
A iniciativa pretende estimular ambientes locais de empreendedorismo, conectando capacitação, crédito, produção, inovação e oportunidades de mercado.
A lógica apresentada no programa é descentralizar a geração de riqueza e permitir que diferentes regiões desenvolvam suas próprias vocações econômicas.
O Projeto 6 — Brasil Oásis é voltado ao semiárido brasileiro.
A proposta busca transformar limitações históricas relacionadas à água, produção e infraestrutura em oportunidades de desenvolvimento econômico e social.
Entre os eixos apresentados estão tecnologias, empreendedorismo, produção agrícola e utilização mais eficiente dos recursos disponíveis na região.
O programa também apresenta o BEE — Brasil Empreendedor nas Estradas, uma proposta que utiliza a extensa malha rodoviária brasileira como eixo de desenvolvimento turístico e econômico.
A ideia é estimular negócios e atividades econômicas ao longo das rodovias, aproveitando o fluxo de pessoas e mercadorias para criar novas oportunidades de trabalho, serviços e turismo.
O projeto integra infraestrutura, empreendedorismo e desenvolvimento regional.
O Projeto 8 — Agroindústria Brasil trata da transformação da produção agropecuária em produtos de maior valor agregado.
A proposta busca estimular a industrialização próxima às áreas produtoras, fortalecendo cadeias produtivas e ampliando oportunidades de renda no interior do país.
A agroindústria é apresentada como instrumento para gerar empregos, aumentar produtividade e reduzir a dependência da comercialização de produtos primários.
O BCOO — Brasil Cooperativismo é outra frente econômica do programa.
A proposta busca fortalecer cooperativas como instrumentos de organização de produtores, trabalhadores e empreendedores.
O cooperativismo aparece relacionado à ampliação da capacidade de negociação, ao acesso a mercados e à distribuição de oportunidades econômicas.
O Projeto 10 — Brasil Exportador estabelece uma estratégia para ampliar a presença de empresas brasileiras no mercado internacional.
A candidatura propõe estimular exportações, ampliar a participação de empresas menores no comércio exterior e utilizar instrumentos diplomáticos e econômicos para abrir mercados.
A proposta também conecta exportação a empreendedorismo, agroindústria, inovação e política externa.
O Projeto 11 — Embaixadas Empreendedoras pretende transformar parte da atuação diplomática brasileira em instrumento de apoio à internacionalização de empresas.
A proposta prevê maior aproximação entre representações diplomáticas e empresas brasileiras interessadas em vender produtos e serviços no exterior.
O objetivo declarado é fazer da rede diplomática uma estrutura de apoio à expansão comercial brasileira.
O Projeto 12 — Plano de Combate Mundial da Fome amplia a proposta para uma dimensão internacional.
O programa pretende utilizar a experiência brasileira em agricultura, produção de alimentos e políticas sociais para desenvolver ações voltadas ao combate à fome em outros países.
A iniciativa está relacionada à política externa e à capacidade produtiva do Brasil.
Na saúde, um dos projetos mais específicos é o Tele Saúde Brasil.
A candidatura propõe ampliar fortemente a utilização da telemedicina para aumentar o acesso da população a médicos e especialistas e, segundo o programa, ajudar a desafogar o Sistema Único de Saúde.
A proposta inclui utilização de tecnologia para consultas, acompanhamento e integração entre profissionais e pacientes, especialmente em regiões onde a oferta de especialistas é menor.
O Projeto 14 — Prevenção e Detecção Precoce do Câncer, identificado no programa pela sigla SEA, propõe ampliar ações de prevenção e diagnóstico antecipado.
A estratégia busca utilizar campanhas, informação, acompanhamento médico e tecnologia para aumentar a identificação de casos em fases iniciais.
A proposta coloca prevenção e diagnóstico precoce como instrumentos para reduzir o impacto da doença sobre pacientes e sobre o sistema de saúde.
O PENER-BR — Energias Renováveis do Brasil é dedicado à expansão de fontes renováveis de energia.
A candidatura apresenta a transição energética como oportunidade econômica, tecnológica e ambiental.
O programa pretende estimular investimentos em fontes renováveis e ampliar a participação de novas tecnologias na matriz energética brasileira.
O Projeto 16 — PETRA BR trata das chamadas terras raras e de outros minerais considerados estratégicos.
A proposta busca ampliar a capacidade brasileira de pesquisar, explorar e agregar valor a esses recursos, reduzindo a dependência externa em cadeias consideradas importantes para a indústria e para novas tecnologias.
O programa relaciona mineração estratégica a desenvolvimento industrial, inovação e soberania econômica.
O Projeto 17 — Floresta Viva-BR concentra as propostas ambientais relacionadas à preservação e à recuperação florestal.
A candidatura busca combinar proteção ambiental com geração de oportunidades econômicas sustentáveis.
A proposta inclui a valorização dos recursos naturais e a utilização de mecanismos econômicos para transformar a preservação em uma atividade capaz de gerar renda e desenvolvimento.
O último dos 18 projetos é o FATO — Força Alerta Total.
A proposta está relacionada à segurança e à capacidade de resposta do Estado diante de situações que possam representar riscos à população e ao território nacional.
O projeto integra a visão de segurança do programa com tecnologia, prevenção e coordenação das estruturas públicas.
Embora a saúde emocional e a educação sejam marcas evidentes do programa, a candidatura também dedica espaço à economia.
O plano defende responsabilidade fiscal, liberdade econômica, empreendedorismo, produtividade e estabilidade institucional. Ao mesmo tempo, sustenta que políticas econômicas devem ser acompanhadas de proteção social e de medidas voltadas à redução das desigualdades.
Essa combinação aparece desde a apresentação do programa, que procura aproximar desenvolvimento econômico e políticas sociais.
A identidade política construída por Augusto Cury durante a campanha está diretamente relacionada à tentativa de se apresentar como alternativa ao confronto entre os dois principais campos ideológicos.
No documento entregue ao TSE, o candidato afirma defender elementos normalmente associados à direita, como liberdade econômica e responsabilidade fiscal, mas também destaca valores associados à esquerda, como justiça social e proteção dos vulneráveis.
O eixo central de sua proposta é transformar o diálogo e o pensamento crítico em instrumentos de gestão pública.
O TSE aprovou o registro da chapa Augusto Cury e Júlio Delgado, do Avante, em setembro de 2026. A Corte informou que a candidatura apresentou a documentação necessária e atendeu aos requisitos legais para disputar a Presidência.
Na página oficial do TSE dedicada aos planos de governo, Augusto Cury aparece com o nome de urna ESCRITOR AUGUSTO CURY, número 70, pelo Avante, e com seu plano disponível para consulta pública.
É importante registrar uma atualização em relação às informações que circularam durante a formação das chapas. Pablo Marçal não está entre os candidatos confirmados à Presidência em 2026. O TSE indeferiu o registro da chapa formada por Pablo Marçal e Leonardo Avalanche, do PRTB. A Corte informou que a decisão considerou, entre outros pontos, a falta de comprovação da filiação partidária de Marçal ao PRTB no prazo legal e sua condição de inelegibilidade.
Com isso, a lista oficial do TSE inclui Augusto Cury entre as candidaturas validadas para a eleição presidencial.
O primeiro turno das eleições será realizado no domingo, 4 de outubro de 2026. Se houver necessidade de segundo turno para a Presidência, a votação ocorrerá no domingo, 25 de outubro de 2026. O horário oficial de votação será das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, em todo o país.
Na eleição presidencial, o segundo turno somente será realizado se nenhum candidato alcançar mais da metade dos votos válidos no primeiro turno, conforme as regras do sistema eleitoral brasileiro.















