Bebê de 29 dias é o doador mais jovem em Goiás
Após confirmação de morte encefálica, os rins da criança foram captados e enviados para outro estado em uma aeronave comercial.
Um recém-nascido com vinte e nove dias de vida teve a morte encefálica confirmada e se transformou no doador de órgãos mais jovem já registrado no estado de Goiás. A decisão partiu dos familiares, que permitiram o procedimento nesta quinta-feira, após a conclusão de todas as etapas clínicas e legais exigidas para situações dessa natureza.
A captação envolveu os rins da criança, cujos tecidos foram enviados para um paciente residente em outra unidade federativa. O deslocamento do material ocorreu por meio de um voo comercial operado pela companhia aérea GOL, partindo do Aeroporto Internacional de Goiânia Santa Genoveva com o acompanhamento direto de equipes especializadas.
Especialistas da área de saúde apontam que a retirada e o repasse de tecidos em crianças tão pequenas configuram episódios raros, influenciados pela escassez de situações elegíveis e pela complexidade dos critérios de compatibilidade biológica. A legislação brasileira determina que a efetivação do processo depende exclusivamente do consentimento dos parentes.
Estatísticas oficiais indicam que sessenta e seis por cento dos núcleos familiares abordados no território goiano optam por recusar a doação após o falecimento de entes queridos, o que evidencia a relevância de debates abertos sobre o tema no âmbito familiar. Entre janeiro e agosto, cento e vinte e três estruturas anatômicas viajaram por vias aéreas no estado.
Para garantir o sucesso logístico, as equipes utilizam tanto aviões particulares de corporações como a Força Aérea Brasileira, Bombeiros e órgãos estaduais quanto aeronaves de linha regular. A medida visa respeitar o tempo limite de viabilidade dos tecidos, que alcança até trinta e seis horas para os rins, trinta e seis para o fígado e quatro para o coração.













