Crise no Campi e 90% de interrupções em MT expõem falhas no autismo
Visita do presidente do Tribunal de Contas a centro de acolhimento em Várzea Grande evidencia grave escassez na rede especializada de saúde.
Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso revelou que 90,3% das famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista já enfrentaram a interrupção de tratamentos médicos e terapêuticos no estado. O levantamento indica ainda que mais da metade desses núcleos familiares percebeu quadros de regressão no desenvolvimento dos filhos durante os períodos de paralisação dos serviços.
O cenário alarmante ganhou repercussão após uma vistoria realizada nesta segunda-feira (14) pelo presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, nas instalações do Centro de Acolhimento Social. A unidade, localizada em Várzea Grande, atende atualmente 348 crianças com deficiência por meio de uma equipe multiprofissional formada por neurologistas, psiquiatras, terapeutas e fisioterapeutas, mas enfrenta risco iminente de encerramento das atividades.
De acordo com a direção da instituição de acolhimento, apenas três das nove notas fiscais emitidas ao longo deste ano foram quitadas pelo poder público, inviabilizando a manutenção dos pagamentos aos profissionais. As portas chegaram a fechar temporariamente na última sexta-feira (11), mas os atendimentos foram retomados após um acordo com a Secretaria Municipal de Educação que garantiu um repasse parcial de R$ 461,9 mil até esta quarta-feira (16).
Os dados levantados pelo órgão fiscalizador abrangeram 145 famílias e visitas presenciais em municípios como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop, Sorriso e Cáceres. O relatório preliminar aponta que o autismo representa atualmente a principal demanda nos serviços de reabilitação infantil em Mato Grosso, com 1.462 crianças matriculadas sem um diagnóstico concluído em 70 cidades diferentes.
A pesquisa também destacou barreiras severas no acesso à saúde pública, mostrando que 58,1% das famílias esperaram mais de um ano para iniciar o acompanhamento ou continuam sem assistência. Para suprir a carência do estado, quase metade dos responsáveis precisou acionar a Justiça, gerando um volume expressivo de demandas judiciais que somaram dezenas de milhões de reais nos últimos anos em Mato Grosso.















