Enfermeira é presa por clínica ilegal em Cuiabá

Por Everton Plinio Martiny • 24/04/2026 13:09 230 acessos
Enfermeira é presa por clínica ilegal em Cuiabá

Uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso resultou na prisão preventiva de uma enfermeira de 38 anos, proprietária de uma clínica de estética no bairro Jardim Europa, em Cuiabá, na manhã desta sexta-feira (24). A profissional é investigada por exercício ilegal da medicina e por crimes contra a saúde pública, envolvendo a comercialização e utilização de substâncias sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor, após denúncia encaminhada à Vigilância Sanitária Municipal. As apurações revelaram um cenário alarmante dentro da clínica, com a realização de procedimentos estéticos invasivos que são exclusivos de médicos, como aplicações de Plasma Rico em Plaquetas, ozonioterapia e soroterapia.

Durante a fiscalização, os agentes encontraram medicamentos vencidos, produtos importados irregularmente e substâncias proibidas no Brasil, incluindo toxina botulínica de origem estrangeira sem registro. Além disso, os produtos eram armazenados em condições inadequadas, sem qualquer controle sanitário, aumentando significativamente o risco à saúde dos pacientes.

As irregularidades não se limitaram aos procedimentos. A clínica operava sem alvará sanitário, sem controle de resíduos e em desacordo com normas básicas de biossegurança. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Rogério Ferreira, a manipulação de sangue em ambiente impróprio elevava o risco de contaminações graves, como infecções severas, necroses e até morte.

Mesmo após ser interditado pelos órgãos de fiscalização, o estabelecimento continuou funcionando de forma clandestina. A investigada teria retirado equipamentos durante a noite e passado a atender pacientes em outros locais, incluindo espaços sem regularização. Há indícios de que ela ainda tentava abrir uma nova unidade com outro nome, também no Jardim Europa.

Outro ponto que chamou a atenção das autoridades foi a atuação da suspeita nas redes sociais, onde se apresentava como “Dra.” e promovia procedimentos em áreas como rosto, glúteos e seios. A estratégia incluía a cobrança antecipada via Pix, sem comprovação de habilitação médica, o que ampliava o alcance das práticas irregulares.

A Justiça acatou o pedido da Polícia Civil e determinou, além da prisão preventiva, uma série de medidas cautelares. Entre elas estão a interdição imediata da clínica, suspensão do CNPJ da empresa, bloqueio das redes sociais da investigada e a suspensão do registro profissional junto ao Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso.

As investigações também revelaram que a suspeita já possuía antecedentes por tráfico de drogas e utilizava tornozeleira eletrônica no momento da prisão. Segundo a Polícia Civil, as apurações continuam e outras pessoas que atuam irregularmente na área estética podem ser alvo de novas operações, especialmente aquelas envolvidas no uso ou comercialização de produtos ilegais, incluindo substâncias para emagrecimento.

O caso acende um alerta importante para a população de Primavera do Leste e de todo o estado sobre os riscos de procedimentos estéticos realizados por profissionais não habilitados, reforçando a importância de verificar a regularidade dos serviços antes de qualquer intervenção.

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