Tendências da internet exigem planejamento para pequenos comércios em MT
Especialistas e empreendedoras de Mato Grosso alertam que modismos digitais nem sempre garantem lucro e demandam análise financeira rigorosa.
Alimentos que ganham popularidade repentina nas redes sociais costumam atrair a atenção de consumidores, mas transformar essas novidades em vendas lucrativas exige cautela e organização. Para pequenos comércios do setor de alimentação em Mato Grosso, acompanhar as tendências digitais funciona como um atrativo para novos clientes, embora a decisão de incluir um prato no cardápio dependa de cálculos financeiros precisos sobre gastos e rotina de produção.
Em Sinop, a confeiteira Ana Paula sentiu os impactos dessa dinâmica ao testar receitas famosas na internet. Deixando a contabilidade há cerca de um ano para se dedicar aos cuidados com o filho, ela passou a comercializar bolos, tortas, doces e sanduíches naturais. Ao tentar comercializar o chamado Morango Cravejado, por exemplo, deparou-se com a disparada no valor da fruta, cuja caixa com quatro bandejas chegou a custar oitenta reais, evidenciando como oscilações de mercado afetam a margem de lucro.
Outra tentativa da empresária local foi o lançamento do X-bolo, item que acabou não obtendo boa receptividade da clientela. Segundo a profissional, o custo para fabricar o alimento superou a disposição do público em pagar o valor necessário, demonstrando que a alta visibilidade online não assegura o sucesso comercial da mercadoria.
De acordo com a gestora estadual de Bebidas e Alimentos do Sebrae em Mato Grosso, Beatriz Jardim, a criatividade serve para descobrir oportunidades, mas apenas o planejamento estruturado garante a entrega eficiente. A especialista orienta que os proprietários realizem testes em lotes reduzidos, verifiquem a aceitação da clientela e coloquem na ponta do lápis despesas com insumos, embalagens, mão de obra e taxas de entrega.
A recomendação para os estabelecimentos comerciais do estado é manter a diversificação do cardápio para não depender exclusivamente de modismos passageiros. Dessa forma, ao avaliar se uma novidade vale o investimento, o empreendedor protege o caixa da empresa, preserva a qualidade do serviço e decide estrategicamente o momento certo de aderir ou recusar uma febre digital.















