Delegado contesta versão de PM sobre ligação a feminicida em Cuiabá
Autoridade policial aponta inconsistências em contato prolongado mantido por militar de folga com autor de crime em Cuiabá.
A Polícia Civil de Mato Grosso colocou em xeque a narrativa apresentada por um policial militar que manteve contato telefônico com o suspeito de um feminicídio ocorrido no último domingo, no bairro Alvorada, na capital mato-grossense. O caso é investigado pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa.
O autor do crime, Fabiano Oliveira, de 43 anos, tirou a vida de Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, com um disparo na nuca dentro de uma quitinete. Horas depois do homicídio, o suspeito conversou por oito minutos com o policial militar Juarez Cândido Silva, que estava de folga no momento da ocorrência.
O delegado Bruno Abreu destacou estranhamento no fato de o militar não ter repassado a informação aos seus superiores de forma imediata. O contato só chegou ao conhecimento da corporação posteriormente, após diligências da Polícia Civil e questionamentos ao próprio agente envolvido na ligação.
A autoridade policial ponderou que a duração do diálogo é considerada extensa para uma suposta tentativa de convencimento à rendição. A investigação avalia que um foragido dificilmente manteria um contato tão longo com alguém que considerasse um desconhecido, devido ao risco de localização.
Apesar de apontar contradições na postura do agente, a polícia ressaltou que não há elementos suficientes para afirmar que houve facilitação ou colaboração direta na fuga do suspeito. Contudo, a falta de comunicação tempestiva da conversa pode ter comprometido a captura imediata do investigado.















