Câmara da ALMT amplia debate sobre direitos indígenas em MT
Nova estrutura substitui a antiga Câmara de Saúde Indígena para abranger projetos de lei, combate à violência e geração de renda nas aldeias.
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso deu início aos trabalhos de uma nova Câmara Temática voltada aos povos originários, com o objetivo de promover o diálogo institucional, acompanhar políticas públicas e encaminhar propostas legislativas. Requerida pelo presidente da Casa, deputado Max Russi, a estrutura substitui a antiga Câmara de Saúde Indígena para abranger demandas mais amplas apresentadas pelas comunidades.
De acordo com a presidente do colegiado, Paloma Velozo, a iniciativa busca superar a carência de informação nos territórios por meio de uma metodologia unificada. Entre as principais prioridades discutidas estão os desafios na área de saúde mental de jovens e adolescentes, com foco na prevenção ao suicídio e na articulação com a educação para apoiar os estudantes em momentos de transição escolar.
O colegiado também debateu a proteção às mulheres e o enfrentamento a barreiras estruturais. A procuradora de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso, Elisamara Portela, destacou a invisibilidade histórica enfrentada por essas populações e enfatizou que práticas criminosas não devem ser naturalizadas sob o argumento de tradições, reforçando a atuação do órgão na defesa de direitos e contra a violência doméstica.
A participação ativa das lideranças locais foi apontada como elemento essencial para atender às particularidades das 46 etnias presentes no estado. O representante do povo Haliti-Paresi, Adylson Waymare, defendeu a criação de mecanismos voltados à autonomia financeira, citando o potencial do etnoturismo e de projetos de geração de trabalho e renda para garantir dignidade nas aldeias.
Com essa primeira reunião ordinária, o grupo estabelece uma agenda voltada à cooperação entre o poder público e as comunidades. A expectativa é transformar reivindicações históricas em encaminhamentos concretos que assegurem o desenvolvimento sustentável e o respeito aos direitos fundamentais dos povos indígenas em Mato Grosso.














