Construtora pagou R$ 2,5 mi em propina por obras em Sinop, diz Gaeco
A segunda fase da Operação Mãos à Obra resultou em cinco prisões preventivas e identificou centenas de imóveis fora das normas legais.
A segunda fase da Operação Mãos à Obra, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), revelou que a construtora Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda. pagou R$ 2,5 milhões em propina a servidores públicos municipais em Sinop. O objetivo do esquema era conseguir a liberação de obras irregulares e garantir a emissão do documento conhecido como Habite-se.
As informações foram divulgadas pela promotora de Justiça Roberta Cheregati Sanches durante uma coletiva de imprensa realizada após a operação. Entre os alvos presos preventivamente está a empresária Débora Alvarenga Nakanishi da Silva, sócia-administradora da construtora, e seu marido, Agnaldo Rael da Silva, que figura entre os servidores públicos investigados no caso.
"Essa empresa, através dos seus proprietários, pagaram de propina, o que foi apurado até o momento, 2 milhões e 500", declarou a promotora durante a apresentação dos dados coletados pelos investigadores.
De acordo com o Gaeco, a empresa atuava principalmente na construção de kitnets voltadas à comercialização. Os compradores recebiam a promessa de que os imóveis seriam entregues concluídos e com toda a documentação regularizada, apesar de as construções estarem fora das exigências legais estabelecidas.
A investigação preliminar apontou a existência de 106 imóveis irregulares vinculados à construtora, espalhados por diferentes bairros do município. Mesmo sem atender às normas exigidas, os prédios continuam em funcionamento na cidade localizada a 481 quilômetros de Cuiabá.
A promotora também destacou que a estrutura criminosa investigada parecia integrada à rotina do órgão público municipal. "Durante nossas investigações, foi bem perceptível que essa estrutura dessa organização criminosa impregnou ali o órgão público de forma tão grave", afirmou a representante do Ministério Público.
A nova fase da operação cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, além de determinar o afastamento de seis servidores públicos. A Justiça também ordenou o bloqueio de até R$ 80 milhões em bens dos investigados, valor que abrange o contexto patrimonial da apuração .
Além dos proprietários da construtora, a operação resultou na prisão de dois engenheiros civis e de outro servidor municipal. O esquema ilegal teria funcionado entre 2017 e 2026, envolvendo agentes ligados à Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação de Sinop.















