Coronel criou célula de homicídio para matar advogado em Cuiabá
Magistrado destacou que o réu usou a experiência na segurança pública para viabilizar o assassinato de Roberto Zampieri.
A Justiça detalhou na sentença condenatória que o coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas liderou a articulação de um grupo voltado para a eliminação do advogado Roberto Zampieri. O magistrado responsável pelo caso destacou que o oficial desempenhou um papel central na empreitada criminosa, funcionando como elo entre os mandantes e os executores da morte registrada na capital de Mato Grosso.
Para a fundamentação da pena de 21 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão, a decisão judicial enfatizou o histórico profissional do réu. O magistrado argumentou que a conduta se tornou ainda mais grave devido à passagem anterior de Caçadini por cargos de gestão na segurança pública e por sua carreira militar, recursos que teriam facilitado o planejamento e a retaguarda do crime.
As investigações e o julgamento demonstraram que a operação foi geriada remotamente a partir de empresas de inteligência e segurança sediadas em Belo Horizonte, distantes a mais de mil quilômetros do local do atentado. O coronel também atuou na gestão financeira do homicídio qualificado, que ocorreu mediante paga ou promessa de recompensa e dificultou qualquer possibilidade de defesa da vítima.
Durante os debates em plenário, a defesa negou o envolvimento do oficial, sustentando que ele conhecia outros acusados por meio de atividades político-partidárias, mas que jamais havia ouvido falar do jurista antes da repercussão nacional do caso. Contudo, os jurados acolheram integralmente as evidências apresentadas pela acusação contra os envolvidos.
O crime ocorreu no dia 5 de dezembro de 2023, quando a vítima deixava o local de trabalho situado no bairro Bosque da Saúde, na cidade cuiabana. Com a decisão do Tribunal do Júri, além da condenação do oficial e do executor dos tiros, outro réu apontado como articulador logístico recebeu uma pena de 25 anos de reclusão pelo assassinato.














