Eleitores em Mato Grosso evitam debater voto para prevenir brigas
Levantamento nacional mostra divergências de gênero nas urnas, com impacto do machismo e tentativas de deslegitimar a escolha feminina.
Quase metade dos eleitores brasileiros opta por esconder suas preferências políticas dentro de casa para fugir de desentendimentos familiares. É o que aponta um levantamento recente realizado no estado, revelando que 47% da população prefere o silêncio a debater escolhas eleitorais com parentes.
A investigação foi conduzida pela Hibou Pesquisas e Insights com a colaboração de entidades como a HeForShe, movimento global da ONU Mulheres voltado à igualdade de gênero, além de outras organizações. O trabalho ouviu 1.449 pessoas aptas a votar entre os dias 1 e 4 de setembro.
O estudo também escancara disparidades de gênero na política. Enquanto a esmagadora maioria das mulheres (80%) afirma ponderar declarações machistas ao selecionar um candidato, apenas 23% dos homens admitem levar o mesmo critério em consideração na hora da urna.
Além disso, a pesquisa identificou que 22% dos entrevistados do sexo masculino consideram aceitável insistir para que a parceira altere o voto. O índice de insistência recua para 10% quando o cenário é invertido e avaliado pelo ponto de vista feminino.
Outro dado alarmante diz respeito à desqualificação intelectual nos pleitos: 67% dos participantes já escutaram que mulheres carecem de habilidade para votar, e 47% reconhecem a existência de campanhas digitais voltadas a desestimular e desacreditar o eleitorado feminino.















