Julgamento de feminicídio em MT é remarcado
O caso que abalou a cidade de Paranatinga e ganhou repercussão em todo o estado de Mato Grosso volta ao centro das atenções com a nova data do Tribunal do Júri de Djavanderson de Oliveira Araújo, acusado de assassinar a ex-namorada Juliana Valdivino da Silva, de apenas 18 anos. O julgamento está marcado para o dia 21 de maio e será realizado na própria comarca, após a Justiça rejeitar pedidos da defesa para transferência do processo.
Juliana morreu no dia 25 de setembro de 2024, após passar 15 dias internada no Hospital Municipal de Cuiabá. A jovem foi transferida para a capital em estado gravíssimo depois de sofrer queimaduras em cerca de 90% do corpo. Segundo as investigações, o crime ocorreu na madrugada de 9 de setembro, quando o acusado teria jogado combustível e ateado fogo na vítima por não aceitar o fim do relacionamento.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso foi aceita pela Justiça, que tornou Djavanderson réu por feminicídio com agravantes, incluindo o uso de fogo, motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. O acusado também responde por perseguição e violência psicológica.
A decisão que levou o caso ao Tribunal do Júri foi proferida em março de 2025. Inicialmente, o julgamento estava previsto para julho do mesmo ano, mas acabou sendo adiado após a defesa alegar forte comoção social e ampla repercussão midiática, fatores que, segundo os advogados, poderiam comprometer a imparcialidade dos jurados. O pedido para mudança de cidade foi negado tanto em primeira instância quanto pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que entendeu não haver provas concretas que justificassem a transferência.
A história do casal, segundo familiares, começou ainda na época em que ambos viviam no Acre. Eles se conheceram na escola, iniciaram um relacionamento e posteriormente se mudaram para Mato Grosso. Com o tempo, a relação se deteriorou. De acordo com a mãe da vítima, Juliana já demonstrava medo e relatava episódios de vigilância e controle por parte do companheiro.
Horas antes do crime, a jovem teria comunicado à mãe sua decisão de encerrar o relacionamento e retornar ao Acre. A intenção era solicitar uma medida protetiva. No entanto, durante a madrugada, o acusado teria acessado mensagens da vítima, descoberto os planos e cometido o ataque violento.
A investigação da Polícia Civil de Mato Grosso aponta que o suspeito comprou combustível pouco antes do crime e utilizou o líquido para incendiar a jovem dentro da residência, localizada no bairro Ipê Florido. Parte do combustível teria atingido o próprio agressor, que sofreu queimaduras em cerca de 50% do corpo.
Após o ataque, ele chegou a alegar tentativa de suicídio, versão considerada inconsistente pelos investigadores. Preso no hospital dias depois, o acusado segue à disposição da Justiça enquanto aguarda o julgamento.
O caso expõe mais uma vez a gravidade dos crimes de feminicídio no Brasil, frequentemente motivados pela não aceitação do término de relacionamentos. A tragédia interrompeu a vida de uma jovem com planos de estudar medicina veterinária e construir uma carreira, deixando uma família marcada pela dor.
Com a proximidade do julgamento, a expectativa é de que o caso tenha um desfecho judicial que responda à comoção gerada e reforce o debate sobre a violência contra a mulher em Mato Grosso e em todo o país.















