Testemunhas contradizem PM em morte durante ação em Cuiabá

Depoimentos à Polícia Civil apontam divergências na versão inicial da PM sobre a morte de Valdivino Almeida Fidelis, durante ocorrência no bairro Goiabeiras.

Por Everton Plinio Martiny • 15/05/2026 19:09 467 acessos
Testemunhas contradizem PM em morte durante ação em Cuiabá

A morte de Valdivino Almeida Fidelis, de 58 anos, durante uma ação da Polícia Militar em Cuiabá, passou a ser investigada sob novas circunstâncias após testemunhas afirmarem à Polícia Civil que ele não apontou uma arma para a enteada antes de ser baleado. O caso ocorreu na segunda-feira (11), no bairro Goiabeiras, após denúncia de suposto cárcere privado envolvendo a adolescente.

Segundo o delegado responsável pela investigação, Bruno Abreu, os relatos coletados até o momento divergem da versão apresentada inicialmente pela Polícia Militar. Conforme os depoimentos, Valdivino teria aberto a porta da residência segurando um celular em uma das mãos e a chave do imóvel na outra, enquanto permitia a saída da jovem. A arma, segundo testemunhas, estaria guardada na cintura, por dentro da camisa.

A Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) segue apurando as circunstâncias da ocorrência em Cuiabá. Os policiais militares envolvidos ainda devem ser ouvidos para esclarecer a dinâmica da ação.

A investigação também analisa se houve possível alteração na cena da morte, além de confrontar os depoimentos de testemunhas com os relatos oficiais apresentados pela corporação. Até o momento, não houve conclusão sobre eventual responsabilidade dos agentes.

A Polícia Militar foi acionada após denúncia de que a enteada de Valdivino estaria sendo mantida em cárcere privado no imóvel. Inicialmente, a corporação informou que os agentes entraram no local após ouvirem pedidos de socorro e visualizaram, por uma janela, o homem apontando uma arma para a cabeça da vítima.

Ainda segundo a versão da PM, a intervenção ocorreu para preservar a vida da adolescente e dos próprios policiais. No entanto, testemunhas ouvidas pela Polícia Civil afirmaram que Valdivino não segurava a arma no momento em que foi atingido.

De acordo com o delegado Bruno Abreu, os relatos indicam que o servidor da Escola Estadual Liceu Cuiabano já havia guardado a arma cerca de 10 segundos antes do disparo. “Em uma mão, ele estava com o celular; na outra, a chave para abrir a porta”, afirmou o delegado em entrevista à TV Centro América.

Em depoimento à Polícia Civil, a ex-mulher de Valdivino relatou ter vivido 27 anos de agressões físicas, ameaças de morte, traições e comportamento possessivo durante o relacionamento.

Segundo o delegado, tanto a ex-esposa quanto a enteada prestaram depoimentos emocionados. A mulher relatou que o comportamento do ex-companheiro dentro de casa era diferente da imagem mantida socialmente.

“Ela deixou claro que, no mundo lá fora, ele era uma excelente pessoa, mas as pessoas não imaginavam o que ele fazia dentro de casa”, relatou Bruno Abreu.

Ainda conforme os depoimentos, a vítima das denúncias de violência doméstica teria tentado encerrar o relacionamento diversas vezes, mas enfrentava dificuldades devido ao comportamento ciumento e controlador de Valdivino.

O caso ampliou o debate sobre protocolos de abordagem policial em ocorrências envolvendo violência doméstica e possível cárcere privado em Mato Grosso. A divergência entre testemunhos e a versão inicial da PM reforça a necessidade de esclarecimento completo dos fatos.

As autoridades seguem investigando a ocorrência em Cuiabá, e novas informações sobre a conduta dos envolvidos e o resultado da apuração da DHPP devem ser divulgadas nos próximos dias.

Este conteúdo foi publicado originalmente por G1 Mato Grosso e foi adaptado para o padrão do Primavera do Leste Net.

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