Estudo aponta risco de perdas na soja sem proteção no Brasil

Pesquisa da Universidade Federal de Viçosa e da CropLife Brasil alerta para impactos econômicos e na inflação caso lavouras fiquem desprotegidas.

Por Redação • 03/11/2026 15:46 • 17 acessos
Estudo aponta risco de perdas na soja sem proteção no Brasil

Um estudo desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa, em parceria com a CropLife Brasil, indicou que as lavouras de soja no país enfrentariam perdas severas na produtividade caso não fossem defendidas contra pragas, doenças e plantas daninhas. A pesquisa apontou que a ausência de manejo fitossanitário pode resultar em quedas de até 55% na produção agrícola nacional.

O levantamento avaliou três cenários distintos, incluindo plantações sem nenhum tipo de intervenção, com manejo parcial e com controle otimizado. Os pesquisadores estimaram que a produtividade por hectare pode atingir 72 sacas sob condições ideais de proteção, enquanto a falta total de controle reduziria o volume para apenas 32 sacas por hectare.

A redução na oferta do grão traria reflexos diretos na economia e na inflação oficial medida pelo IPCA, pressionando o custo de itens como óleo, leite, ovos e carnes. Segundo simulações do estudo, a receita brasileira com exportações de soja cairia de US$ 44,2 bilhões para US$ 26,6 bilhões na ausência de medidas protetivas adequadas.

Diante desse cenário, a pesquisadora da UFV Ana Carolyne Carvalho destacou os reflexos na cadeia produtiva. Essa redução da produtividade da soja, lá no produtor, acaba tendo um impacto significativo no preço da soja e na disponibilidade dos produtos no mercado final, por exemplo, de óleo de soja e do farelo, que é um subproduto da soja. Consequentemente, ia ter uma mudança no preço da carnes, carnes de porco, de frango, porque tudo isso está na cadeia de produção da soja.

Para o coordenador de Sustentabilidade da CropLife Brasil, Pedro Duarte, os dados reforçam a importância de conjugar diferentes tecnologias para garantir a estabilidade do setor. O melhoramento genético, os defensivos químicos, os bioinsumos e as boas práticas agrícolas são ferramentas complementares, que contribuem para proteger o potencial produtivo das lavouras, afirmou Duarte.

Em paralelo, levantamentos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada apontam que o uso de defensivos químicos cresceu expressivamente nas últimas décadas no país. Especialistas ponderam que, embora esses insumos protejam as colheitas contra danos biológicos, o avanço no consumo exige rigor regulatório devido aos potenciais riscos associados ao meio ambiente e à saúde pública.

Este conteúdo foi publicado originalmente por MT Econômico e foi adaptado para o padrão do Primavera do Leste Net.

Primavera do Leste

Mato Grosso