Cármen Lúcia cobra combate à misoginia em Cuiabá
Magistrada apontou que dados estaduais registram dezenas de assassinatos de mulheres e criticou o machismo estrutural.
Durante um evento acadêmico realizado em Cuiabá, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, fez severas críticas à persistência da desigualdade de gênero e ao machismo estrutural na sociedade brasileira. A palestra integrou a programação da Semana do Conhecimento da Universidade Federal de Mato Grosso, reunindo estudantes e docentes no campus localizado na capital estadual.
A magistrada ressaltou que, embora o texto constitucional garanta direitos fundamentais há quase quatro décadas, a igualdade efetiva ainda está distante da realidade cotidiana. Segundo a representante do STF, atitudes preconceituosas e comportamentos misóginos continuam permeando todas as esferas das relações sociais no país.
No campo científico e acadêmico, a palestrante apontou que a exclusão feminina se manifesta historicamente por meio do apagamento de importantes descobertas. Ela recordou trajetórias de pesquisadoras renomadas cujos trabalhos foram apropriados ou ignorados por estruturas dominadas por homens, citando exemplos internacionais ligados à física, química e astronomia.
O debate também abordou a omissão de figuras femininas fundamentais nos registros oficiais da história brasileira, especialmente nos movimentos emancipatórios e de independência. Para a ministra, a invisibilização das mulheres ocorre de forma sistemática tanto na produção do conhecimento quanto na política institucional.
Ao tratar da violência letal, a autoridade destacou que os índices de feminicídio refletem a gravidade da desigualdade de gênero na região. Estatísticas recentes apontam dezenas de mortes violentas de mulheres no estado ao longo do ano, evidenciando a urgência de medidas mais rígidas de proteção e conscientização social.













