Fazenda histórica em Cáceres guarda relíquias e passado imperial

Imóvel rural fundado no século 18 desempenhou papel logístico estratégico e acolheu figura histórica exilada pelo Império.

Por Redação • 12/10/2026 16:02 • 5 acessos
Fazenda histórica em Cáceres guarda relíquias e passado imperial

Fundada por colonizadores portugueses no ano de 1769, a Fazenda Jacobina, localizada no município de Cáceres, em Mato Grosso, conserva em suas instalações verdadeiros vestígios materiais do período imperial brasileiro. Situada às margens da rodovia federal 070, a propriedade rural destaca-se pelo imponente casarão colonial e por sua relevância histórica na região oeste mato-grossense.

No pátio da propriedade, visitantes encontram maquinários pesados fabricados na Europa, com destaque para equipamentos vindos da Inglaterra. Essas peças atravessaram o Oceano Atlântico, entraram pelo Estuário da Prata e percorreram milhares de quilômetros de navegação até desembarcar em solo cacerense, exibindo ainda hoje inscrições originais de fabricação estrangeira nos componentes metálicos oxidados pelo tempo.

Durante o período de sua implantação, a fazenda cumpriu uma função logística primordial para a antiga Província de Mato Grosso. O local produzia e enviava suprimentos alimentares para vilas mineradoras de ouro, como Cuiabá, Poconé e Vila Bela da Santíssima Trindade, utilizando rotas fluviais que partiam do Córrego Jacobina em direção ao Rio Paraguai.

Um dos episódios mais marcantes da trajetória do local ocorreu no século 19, após o fracasso da insurreição conhecida como Sabinada, movimento separatista liderado na Bahia pelo médico Francisco Sabino Vieira. Condenado pelo Império à prisão em um forte na região amazônica, o prisioneiro viajava sob escolta militar quando a comitiva parou na propriedade mato-grossense.

Diante da enfermidade da dona da casa, o prisioneiro, formado em medicina na França, prestou atendimento médico e curou a febre da paciente. A família acolhedora decidiu então dispensar os soldados imperiais e concedeu abrigo definitivo ao médico baiano, que permaneceu na propriedade até o fim da vida e hoje dá nome a uma rua no centro histórico da cidade.

Este conteúdo foi publicado originalmente por Diário de Cáceres e foi adaptado para o padrão do Primavera do Leste Net.

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